Prior do Mosteiro de Bose, na Itália, relata experiência ecuménica que reúne homens e mulheres
O Prior do Mosteiro de Bose (Itália) Enzo Bianchi, é uma das figuras em destaque no Simpósio que reúne o Clero de Portugal, em Fátima, por estes dias. Aos padres do nosso país, este monge italiano veio falar da comunidade monástica de homens e mulheres, provenientes de Igrejas cristãs diversas, que fundou depois do Concílio Vaticano II, recuperando a experiência e a sabedoria dos pais do monaquismo cristão (www.monasterodibose.it).
“Esta é uma comunidade que procura viver o espírito monástico do Ocidente de uma forma contemporânea”, assegura Enzo Bianchi, em declarações à Agência ECCLESIA.
Essa vivência junta uma maioria católica com ortodoxos e protestantes para viver em conjunto “uma mesma espiritualidade de oração e de trabalho para procurar a unidade da Igreja”.
Nascida nos finais anos 60, a comunidade inicial juntava três ou quatro membros nesta experiência monástica que não se pretende confundir com os “carismas” da Vida Religiosa. “Esta é uma vida muito simples, queremos apenas viver o Evangelho de forma radical, e o único carisma é o de seguir Cristo no celibato e na vida comunitária”, refere o Prior do Mosteiro de Bose.
Os 80 membros do mosteiro, hoje em dia, são na sua maioria italianos, mas há homens e mulheres da França, Luxemburgo, Suíça, Bélgica, Sri Lanka e EUA. A comunidade monástica apresenta-se, assim, como um exemplo vivo de ecumenismo.
“Tivemos a oportunidade de criar uma grande comunhão de amizade com o Patriarca Ecuménico de Constantinopla e os Patriarcados da Sérvia e de Moscovo. As Igrejas Ortodoxas sentem-se em casa junto de nós”, relata Enzo Bianchi.
Neste Simpósio do Clero, o Prior de Bose veio falar da necessidade de encontrar “fórmulas novas” para o ministério sacerdotal e a comunhão eclesial, lembrando a crise de vocações e o aumento da idade média dos padres.
“Comunhão eclesial: caminhos plurais” foi o tema da última das três conferências que proferiu nesta iniciativa. “É preciso não ter medo, porque o Senhor sempre deu ministros à sua Igreja e vai continuar a dá-los, mesmo que a forma venha a mudar”, aponta.