Nacional

Novo conceito para a globalização

Luís Filipe Santos
...

Novo conceito para a globalização “A falta de desenvolvimento é o nome de toda a violência que vivemos nos dias atuais”. A afirmação foi pronunciada pelo Cardeal Arcebispo de Tegucigalpa (Honduras), Oscar Rodrigues Maradiaga, durante a sessão oficial de abertura da 17ª Assembleia Geral da Caritas Internacional, a realizar de 7 a 12 de Julho, em Roma. O Cardeal mandou também um recado ao Fundo Monetário Internacional, ao Banco Mundial e aos credores internacionais: “mais do que o dinheiro que aumenta a dívida externa, os países pobres necessitam de dinheiro direccionado a financiar o seu desenvolvimento”. Para Maradiaga, todo o financiamento externo deve estar vinculado à ampliação dos níveis de trabalho e ocupação, que aumente a capacidade das pessoas viverem com dignidade. Por isso, defendeu a pluralidade de sistemas políticos e económicos: “quando se acaba o pluralismo estamos a tornar-nos fundamentalistas”. Acrescentou também que o proposta capitalista de unificar os mercados torna a humanidade mais vulnerável, porque estimula a “competição e a avidez dos mercados, pais da injustiça”. “Precisamos de recuperar a concepção de que não há povos superiores e inferiores, mas as distintas circunstâncias que levaram alguns ao enriquecimento e outros à pobreza”. No primeiro dia de trabalhos, a teóloga do Instituto Católico da África Oriental, Teresa Okure, defendeu também que a globalização é pensada sempre do ponto de partida daquele que tem que dar ao que não tem. “Ao contrário, é necessário criar esta solidariedade global a partir daquilo que os pobres possuem. Seguindo a metodologia da multiplicação dos pães e dos peixes feita por Jesus, é necessário fazer a partilha a partir dos bens possuídos". Para a assessora da Cáritas Brasileira, Cristina Conceição dos Anjos, a globalização da solidariedade deve ter como ponto de partida os excluídos. "Não se pode construir fórmulas mágicas, sem levar em conta a realidade e a vida das pessoas". O Papa João Paulo II enviou uma mensagem especial aos participantes da 17ª Assembleia Geral da Cáritas Internacional. No texto, João Paulo II defende que a globalização não pode ficar restrita aos aspectos económicos. Ela deve estender-se também aos campos da assistência social e da cooperação internacional. O texto do Papa assinala que para globalizar a solidariedade é necessário estabelecer "uma estreita e constante relação com as organizações internacionais que garantem o direito e a legalidade, para que cessem as acções numa única direcção, mantida pela dependência reproduzida pelos mecanismos de uma dívida permanente”.


Caritas