Novos Bispos em Évora e Vila Real
Bento XVI nomeia D. José Alves e D. Amândio Tomás para novas funções
O novo Arcebispo de Évora é natural da Diocese de Guarda. D. José Francisco Sanches Alves nasceu a 20 de Abril de 1941, na freguesia de Lageosa (Sabugal).
Estudou Filosofia e Teologia nos seminários da Diocese da Guarda. Em 1966, a 3 de Julho, foi ordenado presbítero na Catedral de Évora. Em Roma fez o Curso de Ciências da Educação, na Pontifícia Universidade Salesiana, onde obteve o doutoramento em Psicologia.
A sua actividade pastoral passou, primeiro, pela Arquidiocese de Évora, onde foi pároco de Escoural, Professor do Instituto Superior de Teologia, Secretário diocesano da Catequese e Reitor do Seminário Maior de Évora. De 1988 a 1998 foi Vigário Geral da Diocese. Na Arquidiocese de Évora foi ainda Coordenador Diocesano da Pastoral e Presidente do Cabido da Catedral.
A 7 de Março de 1998 foi nomeado Bispo auxiliar de Lisboa, com o título de Gerpiniana. A ordenação episcopal celebrou-se em Évora, a 31 de Maio de 1998. Desde essa data, o seu trabalho pastoral decorreu no Patriarcado de Lisboa onde, além de outras actividades, era Vigário Geral e Moderador da Cúria.
A 22 de Abril de 2004 foi nomeado por João Paulo II como Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco. É vogal do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa e, desde 11 de Abril de 2002 preside à Comissão Episcopal de Acção Social e Caritativa, hoje Comissão Episcopal para a Pastoral Social.
D. Amândio Tomás
D. Amândio Tomás, novo Bispo coadjutor de Vila Real, ordenado Bispo em Roma por João Paulo II, a 6 de Janeiro de 2002, é oriundo de Cimo de Vila da Castanheira, em Chaves, onde nasceu em 1943.
Natural da Diocese de Vila Real é nela que fica incardinado ao ser ordenado presbítero em 15 de Agosto de 1967. O seu percurso académico leva-o até Roma à Universidade Gregoriana e ao Instituto Bíblico, locais onde se licencia em Teologia e em Ciências Bíblicas respectivamente.
As novas habilitações académicas fazem com que passe pela docência no seminário de Lamego e na Faculdade de Teologia na Universidade Católica no Porto. Porém é em Roma que D. Amândio acaba por desenvolver a maior parte da sua actividade. Vice-Reitor do Colégio Português em 1976 e Reitor daquela Instituição desde 1982, permanece em Roma até 5 de Outubro de 2001, o dia em que João Paulo II publicou a sua nomeação para Auxiliar da Arquidiocese de Évora.
No actual triénio, D. Amândio Tomás é o delegado da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) na Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE).
Auxiliares e coadjutores
A presença de Bispos Auxiliares ou Coadjutores nas nossas dioceses é uma realidade a que os católicos já se habituaram. Esta missão nasce da preocupação da Igreja local em chegar a todos os seus fiéis, algo que poderia ser impossível para o Bispo diocesano em função da excessiva extensão da diocese, o exagerado número de habitantes, condições especiais do apostolado ou por outras causas várias.
Na maioria dos casos, é uma necessidade especial – muitas vezes problemas de saúde - que exige que se dê ao Bispo diocesano um Bispo Coadjutor para o ajudar. O Bispo coadjutor é nomeado por iniciativa da Santa Sé e, ao contrário dos Bispos auxiliares, goza do direito de suceder ao Bispo diocesano quando este cessa as suas funções.
“Vagando a sé episcopal, o Bispo coadjutor torna-se imediatamente Bispo da diocese para a qual fora constituído”, refere o cânone 409 do Código de Direito Canónico (CDC).
O decreto Christus Dominus, do Concílio Vaticano II, sobre a missão pastoral dos Bispos na Igreja refere que “o Bispo Coadjutor, isto é, aquele que é nomeado com direito de sucessão, sempre há-de ser constituído Vigário Geral pelo Bispo diocesano”. Em casos particulares, a autoridade competente poderá conceder-lhe faculdades mais amplas.
O Bispo deve ter pelo menos 35 anos de idade e 5 de ordenação presbiteral. Os Bispos, depois, distinguem-se em diocesanos sufragâneos, quando dependem de um metropolita e fazem parte de uma província eclesiástica; diocesanos isentos, quando dependem directamente da Santa Sé; titulares coadjutores, quando servem de ajuda ao bispo diocesano, com direito de sucessão; titulares auxiliares, de ajuda ao bispo diocesano, com ou sem faculdades especiais; eméritos, se cessaram o ofício por limite de idade ou por renúncia aceite.
Arquidiocese de Évora
A primeira notícia de um bispado em Évora data do Concílio de Elvira (303) em cujas actas figura o nome de Quinciano, Bispo de Évora. No período visigótico, a História regista os nomes de sete Bispos. Depois da conquista, D. Soeiro foi o primeiro de uma série de 35 Bispos (1166 a 1540), seguida de outra de 27 Arcebispos (1540-1981) que abriu com o Cardeal Infante D. Henrique. Na divisão eclesiástica de 1394 (Bula “In Eminentissimae Dignitatis” de Bonifácio IX) a Diocese de Évora ficou sufragânea de Lisboa, abrangendo toda a região alentejana. Pela Bula “Gratiae Divinae Praemium”, de 29.9.1540, Paulo III elevou a Sé de Évora à dignidade metropolítica, ficando com as de Silves e Tânger como sufragâneas. Em 1549, do seu vasto território, o mesmo Papa separou a parte a norte, ao criar a Diocese de Portalegre (Bula “Pro Excellenti Apostolicae Sedis” de 21.8.1549, executada em 24.4.1550), que ficou sufragânea de Lisboa.
O mesmo Papa destacou ainda a parte oriental para constituir a Diocese de Elvas (Bula “Super Cunctas”, de 9.6.1570), que ficou sufragânea de Évora; mais tarde, por breve de 10.7.1770, Clemente XIV separou a parte Sul para constituir a Diocese de Beja. Com a remodelação diocesana ordenada por Leão XIII (Bula “Gravissimum Christi”, de 3.9.1881) a Diocese de Elvas foi extinta, ficando a Arquidiocese aproximadamente com o actual território. Em 1975 foi desmembrada uma pequena parte a favor da Diocese de Setúbal.
O título de Arcebispo Metropolita, atribuído ao titular desta Diocese, indica que o mesmo preside a uma província eclesiástica constituída por diversas Dioceses. Este sistema administrativo veio da divisão civil do Império Romano, depois da paz de Constantino (313). Em tempos mais remotos, o Metropolita tinha largos poderes de jurisdição, que foram gradualmente reduzidos, sobretudo a partir do Concílio de Trento.
Actualmente o Código de Direito Canónico (435-438) atribui-lhe a convocação e presidência do Conselho Provincial e, em certos casos, algumas intervenções nas dioceses sufragâneas. A insígnia própria é o pálio, que lhe é concedido pelo Papa.
Em Portugal, desde o princípio da nacionalidade, há três províncias eclesiásticas: Braga, Lisboa e Évora.
Dados estatísticos (Anuário Católico de Portugal 2007)
Superfície (Km2) 13 547
População – 290 400
Católicos – 246 325
Arciprestados (vigararias ou ouvidorias) - 9
Paróquias (ou equiparadas) - 158
- com pároco próprio (clero diocesano) -130
- com pároco próprio (clero religioso) -17
- confiadas a diáconos permanentes - 10
Capelanias - 40
Sacerdotes diocesanos (incardinados) - 84
- em serviço pastoral na diocese própria - 66
- em serviço pastoral noutra diocese - 16
- fora do serviço pastoral - 2
Sacerdotes religiosos residentes na diocese - 31
- total ou em parte ao serviço da diocese - 22
- ao serviço estrito do seu instituto - 9
Religiosos professos não sacerdotes - 9
Religiosas professas residentes na diocese - 150
Diáconos Permanentes (já ordenados) – 10
Diocese de Vila Real
A Diocese de Vila Real foi criada pelo Papa Pio XI pela Bula Apostolicae Praedecessorum Nostrorum, de 20.04.1922, com paróquias vindas da Arquidiocese de Braga (166) e das Dioceses de Lamego (71) e Bragança (19) ficando com os limites do distrito do mesmo nome.
Na altura da execução da Bula tinha 256 freguesias. Faz parte da Diocese a cidade de Chaves (a romana Aquae Flaviae) que, durante o domínio suevo, foi sede de um efémero Bispado Flaviense de que terá sido prelado o famoso Idácio de Chaves, autor do Cronicon. Fala-se ainda de um segundo Bispado de Betica, (Boticas?). A superfície da Diocese é de 4 273,20 Km2 e tem actualmente 264 paróquias.
O primeiro Bispo de Vila Real foi o senhor D. João Evangelista de Lima Vidal (1923 – 1933), seguindo-se o senhor D. António Valente da Fonseca (1933 – 1967) e D. António Cardoso da Cunha (1967 – 1991). Desde então, é Bispo da Diocese D. Joaquim Gonçalves.
Dados estatísticos (Anuário Católico de Portugal 2007)
Superfície (Km2) - 4273
População (censo de 2001) – 208 200
Católicos (censo de 2001) - 206 420
Arciprestados (Vigararias ou ouvidorias) - 8
Paróquias (ou equiparadas) - 264
- com pároco próprio (do clero diocesano) - 71
- com pároco próprio (do clero religioso) - 6
- administradas por sacerdotes - 133
Capelanias - 210
Sacerdotes diocesanos incardinados - 147
- em serviço pastoral na diocese - 114
- em serviço pastoral noutra diocese 10
- fora do serviço pastoral - 23
Sacerdotes religiosos residentes na diocese - 14
- total ou em parte ao serviço da diocese - 9
- ao serviço estrito do seu instituto - 4
- fora do serviço pastoral - 1
Religiosos professos não sacerdotes - 3
Religiosas professas residentes na diocese - 96
Diáconos Permanentes (já ordenados) - 1
Santa Sé









