Nacional

O milagre de Portugal em livro

Luís Filipe Santos
...

D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, apresentou a sua obra «Portugal e os Portugueses», uma realidade improvável

Portugal e os portugueses complementam-se. Uma afirmação introdutória e que serve de base para o livro de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, «Portugal e os Portugueses». A obra foi apresentada ontem (dia 29 de Abril), na Livraria «Assírio&Alvim», em Lisboa, por Guilherme de Oliveira Martins, o qual disse à Agência ECCLESIA que “a cultura portuguesa é extremamente abertaâ€, visto que “ganhámos sempre que nos abrimos e acolhemos outrosâ€. «Notas de Cultura Portuguesa», «Religião na Europa» e a transcrição de duas entrevistas são os dois pilares desta obra do presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais. “Somos uma realidade improvável†– disse o autor. E completado por Guilherme de Oliveira Martins: “temos todas as razões para desaparecer, mas estamos cáâ€. Identidade, diferença e pluralidade de valores são elementos constitutivos desta “pessoa colectiva†que é Portugal. “Recebemos várias influências, no entanto fomos à descoberta do mundo†– referiu o apresentador da obra. Composto “de muitos escritosâ€, D. Manuel Clemente salienta que “alguns deles têm algumas décadasâ€. Reflexões de outrora com marca actual. “O que somos como colectivo histórico e como pátria política e espiritual†– disse. Com alguma “estranheza†e “quase milagre de renascerâ€, Portugal não tem uma grande probabilidade de origem. “Não somos recortados geograficamente no conjunto da Península Ibérica†– afirmou o autor da obra. Olhando para a história do país mais ocidental da Europa, Guilherme de Oliveira Martins realça o nome premonitório: «Portucale». “A designação é um porto de onde partimos e chegamosâ€. Um caminhos feito de interrogações, no entanto “não nos situamos numa perspectiva redutora mas abertaâ€. Neste contexto de abertura ao mundo, o orador frisou que a língua portuguesa ultrapassa as fronteiras e “chega a muitos milhões de falantesâ€. “É algo de extraordinário†– completa. Os portugueses partiram deste rectângulo com as suas caravelas e “colocaram a nossa língua como algo de universalâ€. Naqueles áureos séculos, o português “chamava-se cristãoâ€. Guilherme de Oliveira Martins salientou com especial ênfase que no mundo contemporâneo “há muita intolerância e tensões muito gravesâ€. Nestas tentações de choque entre civilizações, o apresentador da obra «Portugal e os Portugueses» sublinha que “há condições positivas†para procurarmos “verdade, apesar de sermos imperfeitosâ€. E acentua: “nunca podemos dizer que a verdade é o fundamento de qualquer sistema políticoâ€. Sendo uma realidade antiga da Europa, Portugal quando se “sente mais fraco tem mais força para continuarâ€. Um livro de História com histórias e laivos de poesia. “Eu não sou poeta, mas o ir além da prosa – do quantitativo e verificável – ajuda†– adianta o Bispo do Porto. Explicações difíceis, mas um livro com “as nossas históriasâ€. Um fio condutor “para uma pessoa colectiva com dez séculos†e “uma costa constantemente mariana, num rosário de invocações da Mãe de Deus†– escreve no livro.


Publicações