Nacional

O papel da família no processo educativo

Luís Filipe Santos
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Todos os anos, no início do mês de Outubro, ocorre a Semana Nacional da Educação Cristã que é uma ocasião para – lançado o ano escolar – proporcionar uma reflexão sobre a educação. Este ano, a Comissão Episcopal da Educação escolheu a temática «Família, um bem necessário e insubstituível» e, por isso, olha-se a educação a partir da “responsabilidade da família e de todos os agentes educativos em conjugação com a própria família” - disse ao programa ECCLESIA D. Tomaz Silva Nunes, Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã. Neste início de ano pastoral, as actividades paroquiais – nomeadamente a catequese - acompanham também o ritmo do ano lectivo. “Propusemos que educadores, professores de escolas estatais e católicas, catequistas inserissem a sua reflexão neste debate” - referiu. Depois destes contributos “elaboraremos um relatório final que será enviado ao Conselho Nacional de Educação” - frisou D. Tomaz Silva Nunes. A escolha da temática deve-se, essencialmente, à importância da família na sociedade e no mundo e também devido ao Encontro Mundial das Famílias – realizado em Valência (Espanha) – que foi presidido por Bento XVI. Aí, o Papa disse que todos eram responsáveis em proclamar “a verdade integral da família como igreja doméstica e santuário da vida” - afirmou D. Tomaz Silva Nunes. Quando na Europa se equipara a família a outras formas de agregado baseado no afecto e com durações variáveis é “fundamental fazer uma reflexão sobre a família”. A educação é processo que conta com educando e, simultaneamente, com pessoas e instituições. “A nota da Comissão Episcopal pretende transmitir - em três ou quatro pinceladas – os traços fundamentais da família na perspectiva cristã” - adianta D. Tomaz Silva Nunes. Jorge Paulo e Célia são uma família cristã com dois filhos. “Quando casamos não fazemos a menor ideia do que significa a prioridade da educação mas vamos aprendendo a fazê-lo”. Os condicionalismos da realidade escolar e catequética “deixam espaço para a decisão dos pais” - refere Jorge Paulo. E acrescenta: “desde logo na escolha de uma disciplina orientada do ponto de vista religioso”. Para além desta escolha, os pais também têm um papel fulcral na inserção dos filhos na paróquia e na catequese. “Quando os pais decidem que os filhos participem nas actividades desses grupos deve estar uma consciência de orientação educativa” - sublinha. Por sua vez, Célia realça que “há uma área educativa que é exclusiva da família”. O papel dos pais “é prepará-los para a vida”. A oração e leitura em família são dois hábitos desta família. “Estimulá-los para a compreensão das histórias são rotinas criadas desde sempre” - afirma Jorge Paulo. D. Tomaz Silva Nunes realça que a afirmação anterior “é o testemunho de uma família que não abdica da sua missão e não se deixa diluir no conjunto das solicitações que entram na casa das pessoas”. Existem muitas famílias que não perderam a noção da sua identidade diante das mutações culturais. A chave do sucesso do processo educativo é “esta transmissão de pais para filhos” - disse Célia. E concluiu: “nós praticamo-lo porque o vivemos e já fomos beneficiários desse processo”.


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