Nacional

Obra da UCP consagra liturgista português

Octávio Carmo
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«Liturgia e Espiritualidade na Idade Média», de Joaquim Oliveira Bragança, recolhe 40 anos de actividade científica

A Universidade Católica Editora acaba de lançar a obra «Liturgia e Espiritualidade na Idade Média» de Joaquim Oliveira Bragança, liturgista português e professor jubilado, da Faculdade de Teologia (FT) da Universidade Católica Portuguesa. A edição foi coordenada por João Soalheiro, director do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja (SNBCI). O livro, apresentado por D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa, apresenta três grandes vertentes caracterizadoras da investigação de Joaquim O. Bragança: “o estudo das fontes medievais da liturgia da Braga, trabalhos sobre textos de manuscritos portugueses relativos aos Sacramentos, nomeadamente o Baptismo, a Confirmação, a Eucaristia e a Unção dos doentes, e, por fim, escritos dedicados a aspectos da devoção e da espiritualidade medievais, cuja fecunda irradiação atinge o séc. XVI”. No lançamento do livro, Joaquim Bragança mostrou-se profundamente emocionado e referiu à Agência ECCLESIA que é fundamental perceber que “a evangelização começa pela cultura”. Já o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, destacou o papel deste liturgista nos primórdios da FT, há quatro décadas, em que se destacou pela defesa da cientificidade da Teologia. Para D. Carlos Azevedo, “ao percorrermos 40 anos de actividade cientificado Prof. Bragança, percebemos como o académico ganhou por mérito próprio lugar incontestável e incomparável, entre nós, no domínio da historiografia litúrgica medieval”. “A comunidade científica, e não apenas portuguesa, contraiu para com Joaquim Oliveira Bragança não uma pequena dívida, ao ver disponibilizados sob selo da mais elevada qualidade tantos dos textos litúrgicos que deram vida e expressão ao sentir religioso das mulheres e dos homens que fizerem a Idade Média”, referiu. O Bispo Auxiliar de Lisboa destacou que este património de riqueza de informações “não de podia perder”. Pelo mesmo diapasão alinha João Soalheiro, que fala da “obra única entre nós” deixada por Joaquim Bragança, atingindo um “nível científico internacional” que marcou mesmo a investigação para além das fronteiras do nosso país. Nesta área específica da História da Liturgia há falta de trabalhos a este nível, pelo que se tornou imperioso “não perder os estudos” deste liturgista, que se destacou pela “solidez científica”. Nesse sentido, diz o director do SNBCI, estamos perante “trabalhos que não envelhecem” e “atiram para as raízes”, algo que na cultura actual surge como “um desafio”. O Autor Joaquim O. Bragança, natural de Guimarães, frequentou os Seminários da Arquidiocese de Braga, de que é presbítero desde 1949. Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian rumou a Paris, em 1958, para se especializar no Instituto Superior de Liturgia, da Faculdade de Teologia do Instituto Católico de Paris, onde conviveu com mestres da estatura de Bernard Botte, Antoine Chavasse, Balduin de Gaiffier, Irénée-Henri Dalmais, Pierre-Marie Gy, Jean Daniélou, Jean Gaudemet e Louis Bouyer. Prestou provas de doutoramento, em 1962, com o trabalho La Vigile pascale du Missel de Mateus. Aprofundou a formação recebida com o estudo aturado de centenas de manuscritos, em diferentes instituições de Portugal, França, Espanha e Roma. Entre as obras a que deu corpo contam-se a magistral edição do Missal de Mateus e títulos como Ritual de Santa Cruz de Coimbra (Porto, Bibl. Públ. Mun. ms. 858, séc. XIII), Processional-Tropário de Alcobaça (Lisboa, Bibl. Nac. ms. 6207, séc. XIV), Ritual de Braga do séc. XV (Porto, Bibl. Públ. Mun. Fundo Azevedo ms. 81) e A música do Pontifical de Braga do séc. XV (Braga, Arq. Distr. e Bibl. Públ. ms. 870). Professor, hoje jubilado, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, foi director da revista Didaskalia (1971-1995), órgão científico da Faculdade, integrou o Conselho de Direcção e Redacção da revista Communio (1984-1988) e fundou, em 1987, a revista de musicologia Modus, do Instituto Gregoriano de Lisboa, que dirige desde então. É académico da Pontificia Academia Mariana Internationalis (Roma), membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa) e da Societat Catalana d'Estudis Litúrgics (Barcelona).


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