Partindo de uma interrogação “Onde estão os jovens?”, os responsáveis da pastoral da diocese de Aveiro concluíram, com base num inquérito não científico, que estes “estão na Igreja” mesmo “que não se vejam”. Os canais de comunicação com os jovens “falham” por isso “não os conseguimos prender por dentro” – disse à Agência ECCLESIA o Pe. Vitor Marques, Vigário Episcopal da Pastoral da diocese de Aveiro, a propósito da I Assembleia Sinodal Juvenil, realizada dia 10 de Janeiro. Esta caminhada, começou no inicio deste ano pastoral mas foi planificada desde o triénio pastoral de 2002/05 pretende “valorizar a vivência do Domingo” onde “esteja presente a juventude”. Uma caminhada que “não pode perturbar o normal serviço das comunidades” mas “ser um aproveitamento das potencialidades existentes e rentabilizá-las” – sublinhou Manuel Oliveira de Sousa, responsável pela Pastoral Juvenil de Aveiro.
Para que tal aconteça, os responsáveis pela pastoral juvenil estão disponíveis para irem ao encontro dos jovens nem que seja nas discotecas ou bares. O desafio “foi colocado aos próprios grupos de jovens e aos animadores”. Foi-lhes pedido para que a “caminhada não se limitasse dentro das paredes da Igreja e das salas de catequese” – sublinhou o Pe. Vitor Marques. Manuel Oliveira de Sousa refere mesmo “uma pluralidade de ofertas” sem “entrar num processo de proselitismo”. E acentua: “enquanto os jovens comunicam por meias palavras e na igreja ainda se comunica com uma linguagem muito ortodoxa”.
Apesar de não serem dados finais, o inquérito à juventude dos 10 arciprestados de Aveiro conclui que grande parte destes, mais de 50%, frequenta o Ensino Secundário, aponta o seu ambiente familiar como “bom” e refere que a família tem grande influência (cerca de 60%) nas suas opções e decisões. Quando lhes é pedido para qualificarem a sua vida religiosa, os jovens aveirenses, cerca de 70%, adiantam que “sou cristão activo”. Perante estes dados, Manuel Oliveira de Sousa considera que os valores cristãos “estão enraizados nos jovens”. O jovem está na Igreja mas “não se vê aparentemente”. Existe uma panóplia de actividades juvenis que “são o fermento” que trará frutos no futuro.
A maneira de “sentir e palpitar dos jovens” é de uma utilidade fulcral para a Igreja. Apesar de “muitas vezes ser ignorada nas comunidades” – menciona o Pe. Vitor Marques. Para que tal não aconteça, “a Igreja deve estar muito atenta a esta realidade” e “compreender que tem de ter paciência”. E adianta: “falta ousadia evangélica”.