Os sofrimentos da etnia cigana
Os ciganos são “esquecidos e incómodos porque não dão dividendos políticos” – denuncia Francisco Monteiro.
Com cerca de 50 mil ciganos a viverem em Portugal, o director-executivo da ONPC sublinha que a Comunicação Social não lhes dá a devida atenção, visto que, muitas vezes, “são esquecidos e incómodas porque não dão dividendos políticos”. Mergulhados neste mundo discriminatório, os ciganos “revoltam-se e, ás vezes, criam problemas”.
No mundo laboral, as dificuldades também são frequentes. “Quando o empregador descobre que é cigano manda-o embora” – disse. Também existem “casos positivos”, mas “nós preocupamo-nos é com os casos negativos”. E esclarece: “há iniciativas que não «colam» nos ciganos” porque “são pensados de cima para baixo e não o inverso”.
Ao olhar para a vizinha Espanha, este responsável salienta que “aí os ciganos têm peso” porque “são cerca de 600 mil”. Para alterar o panorama, Francisco Monteiro apela “á consciência das autoridades públicas”. “É preciso ter a coragem para começar”.
Os ciganos estão “disponíveis”. Nas questões do realojamento, Francisco Monteiro frisa que este “deve ser acompanhado antes, durante e depois”. Existem casos de “pleno sucesso” porque “ninguém gosta de estar numa barraca à chuva e ao vento”.
A Assembleia da República publicou uma lei sobre os mediadores socioculturais – “são a chave da solução da educação dos ciganos” -, mas a lei “está no tinteiro porque o Ministério da Educação não quer resolver o problema da carreira dos ciganos”. E exemplifica: “há dezenas de mediadores socioculturais ciganos que estão no desemprego”.
Sobre o relatório, apresentado ontem (17 de Março), Francisco Monteiro refere que “todos estamos à espera que ele se perpetue”. E finaliza: “não temos esperança nenhuma”.
Pastoral dos Ciganos









