Papa antecipa processo de beatificação da Irmã Lúcia
Cardeal Saraiva Martins anuncia em Coimbra decisão de Bento XVI, no dia do terceiro aniversário da morte da Vidente
O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos trouxe consigo o decreto deste Dicastério que permite ao Bispo de Coimbra dar início ao processo “de imediato”. O documento, com data de 3 de Fevereiro, revela que a decisão foi tomada após uma audiência particular com o Cardeal Saraiva Martins, no dia 17 de Dezembro de 2007.
As normas canónicas actualmente em vigor exigem um período de espera de cinco anos após a morte, que fica assim reduzido em dois anos, para o caso de Lúcia. Uma situação semelhante apenas acontecera, nos anos recentes, com os processos de Madre Teresa de Calcutá e do Papa João Paulo II.
Aos bispos diocesanos compete o direito de investigar acerca da vida, virtudes ou martírio e fama de santidade ou de martírio, milagres aduzidos, e ainda, se for o caso, do culto antigo do Servo de Deus, cuja canonização se pede.
Este levantamento de informações é enviado à Santa Sé. Se o exame dos documentos é positivo, o “servo de Deus” é proclamado “venerável”.
A segunda etapa do processo consiste no exame dos milagres atribuídos à intercessão do “venerável”. Se um deste milagres é considerado autêntico, o “venerável” é considerado “beato”. Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, então o beato é proclamado “santo”.
Sem milagre, mas...
Em conversa com os jornalistas presentes no Carmelo, D. José Saraiva Martins repetiu a sua convicção pessoal de que a Irmã Lúcia era “uma Santa”, referindo que o parecer que transmitiu ao Papa sobre o pedido de dispensa foi “totalmente favorável”.
“Não se chega a esta decisão de um dia para o outro”, assegura, frisando que há “confiança” de que este processo chegará a bom termo rapidamente.
“Este dia ficará escrito com letras de ouro nos anais da Igreja”, apontou.
Quanto ao milagre necessário para o bom andamento da Causa, o Cardeal português admite que “ainda não chegou a Roma nenhum caso”, mas mostrou-se convencido de que o mesmo acontecerá, porque estamos na presença “de alguém que vivia no mundo de Deus, no mundo da santidade”.
A prioresa do Carmelo de Coimbra, Ir. Celina, gracejou com a situação, afirmando que “não sei como isso se faz”, colocando a existência de um eventual milagre “nas mãos de Deus”. A alegria, essa, “é muito grande”.
Já Branca Paúl, a médica que tratou da Ir. Lúcia nos últimos anos de vida, refere que o maior milagre da religiosa foi ter feito de Fátima e de Portugal o “altar do mundo” sendo “uma mulher simples, humilde, encerrada em quatro paredes”.
Protagonista de Fátima
Na celebração do Carmelo de Fátima, completamente lotado, o Cardeal Saraiva Martins começou por afirmar que a Irmã Lúcia foi a “grande protagonista dos acontecimentos da Cova da Iria”.
Posteriormente, na sua homilia, este responsável frisou que, nesta “ocasião muito significativa”, é importante “levantar o nosso olhar para o Céu” e combater a “amnésia da eternidade” que afecta a sociedade do nosso tempo.
O Cardeal português associou o convite à oração e à penitência feitos em Fátima à celebração do tempo quaresmal, que se vive agora na Igreja, contra a “mobilidade e o consumismo” e a “perda dos valores absolutos”.
Coimbra em festa
D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, manifestamente feliz com esta novidade, revelou à Agência ECCLESIA que o "primeiro passo" ultrapassou as suas expectativas, dado que além da dispensa, o Cardeal Saraiva Martins trouxe consigo o decreto de abertura do processo.
Agora, o prelado tem em mãos decisões processuais, como a "escolha do postulador", sempre em consonância com as Irmãs do Carmelo.
Para D. Albino este dia "ficará para sempre" e consagra a relação de Lúcia com a cidade de Coimbra, convidando os conimbricenses a "acompanharem os passos através dos quais vamos pedir a Deus a bênção para este caminho".
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Pastorinhos de Fátima









