Presidente da Comissão Episcopal dos Bens Culturais da Igreja defende utilização dos mesmos para fins de evangelização
A Igreja Católica em Portugal está decidida a dar vida ao seu vasto Património, apostando na conservação e divulgação de Bens Culturais que nasceram com uma missão específica – a evangelização.
Esta posição foi assumida por D. Albino Cleto, presidente cessante da Comissão Episcopal dos Bens Culturais da Igreja, que em declarações à Agência ECCLESIA referiu que “a nossa perspectiva tem de ser a de utilizar o Património para evangelizar, catequizar, mostrar valores transcendentes”.
É por todos bem conhecido o importante volume de obras de arte sacra existente em museus, tesouros de sés e igrejas abertas ao culto, que representam uma elevada percentagem do património móvel português. O olhar de muitos, contudo, não consegue superar as barreiras da indiferença ou da ignorância relativamente a essas obras, pelo que a Igreja assume a missão de criar pontes entre o artista, a comunidade em que se gerou a obra (com a contextualização em termos de história da Igreja e da Liturgia), a mensagem transmitida e o público.
“Essa é uma marca do nosso percurso, ao longo dos últimos anos – explica D. Albino Cleto -, dado que há 10/15 anos tínhamos uma perspectiva fundamental de defesa, de impedir que nos roubassem e que degradassem o património. O próximo passo foi o da conservação que nos levou ao desejo de mostrar o que temos”.
Hoje, as Dioceses portuguesas começam a compreende que a divulgação é uma exigência muito específica deste património que, ele próprio, tem muitas especificidades. “Neste momento estamos já a valorizar a utilização, que primeiramente é a do culto: é evidente que isto gera critérios próprios, que os outros museus não podem ter”, assinala o presidente da Comissão Episcopal dos Bens Culturais da Igreja.
“O Património da Igreja é vivo e o melhor modo de conservá-lo é utiliza-lo para o fim que foi feito e também em ordem à catequese: saber mostrar a simbólica, explicar o sentido das obras de arte”, acrescenta.
O Bispo de Coimbra, que também integrará a nova Comissão Episcopal nesta área chamou a atenção para a necessidade de as igrejas oferecerem aos seus visitantes “pequenos desdobráveis e até outras publicações de mais profundidade”.
A Missão Evangelizadora do Património Cultural
Os responsáveis dos Serviços Diocesanos do Património Cultural reuniram-se em Fátima para o Encontro Nacional “A Missão Evangelizadora do Património Cultural”, num encontro que contou com a participação de cerca de 50 pessoas.
O encontro contou com uma intervenção geral de D. Manuel Clemente, Bispo Auxiliar de Lisboa e Presidente da nova Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, sobre a importância do património como “memória, tradição e testemunho”.
A exposição foi seguida da apresentação de três "experiências", correspondentes a tantas outras áreas de acção e interesse na valorização do património cultural da Igreja numa perspectiva pastoral: "Exposições de arte sacra" (D. Carlos Moreira Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa); "Utilização apropriada do património" (Igrejas da Baixa de Lisboa - Pe. Mário Rui Pedras) e "Itinerários e Roteiros" (Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja).
Na parte final do encontro, os participantes tiveram várias intervenções relativas aos problemas do restauro dos Património artístico da Igreja, dado que é notória a existência dum vasto acervo de obras insuficientemente protegido – seja por incúria, carência de meios financeiros ou falta de formação daqueles a quem deveria competir tal função.
D. Albino Cleto assegura que “temos de nós ajudar a evitar restauros desastrosos para conseguirmos mentalizar os responsáveis na perspectiva de restauros competentes”. O Bispo de Coimbra frisou a importância de se formar adequadamente as pessoas que lidam com este património, “desde os responsáveis maiores da Diocese ao sacristão e à senhora que guarda a chave da capela”.
Nesse sentido, estão a ser promovidas iniciativas de formação “não só para que as pessoas saibam guardar, mas para que saibam mostrar”.
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