Pela diplomacia e contra a guerra Octávio Carmo 11 de Fevereiro de 2003, às 15:46 ... D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas e de Segurança, defende que o povo do Iraque não deve sofrer ainda mais e que as verdadeiras condições da solução apontam sempre para as medidas humanitárias e as aberturas diplomáticas. Em declarações à Agência ECCLESIA D. Januário reafirmou as posições tomadas na sua crónica semanal no site do Ordinariato Castrense (http://castren-se.ecclesia.pt) e avaliou os elementos apresentados, dia 6 de Fevereiro, por Collin Powell na ONU. “Os elementos que o Secretário de Estado dos EUA apresenta merecem o maior respeito e, até o medo relativo em algumas situações; no entanto, por aquilo que ouço em vários paÃses, a acção dos inspectores deveria continuar e deveria haver provas mais evidentes da presença de armas de destruição maciçaâ€, adverte. A actuação da Igreja Católica, neste caso, é considerada exemplar por D. Januário, que cita alguns exemplos: “O discurso do Papa ao corpo diplomático no Vaticano, a carta do presidente da Conferência Episcopal dos EUA a George W. Bush – onde dizia que não havia razões para uma guerra -, a posição do Episcopado francês e de tantos outros, claramente contra um ataque ao Iraque e declarando ilegÃtima a guerra preventivaâ€. O Bispo das Forças Armadas portuguesas defende que uma declaração de guerra, a ser tomada, deverá ser uma posição “multilateralâ€, no quadro do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Sabemos que os EUA são capazes de resistir a esta imposição legal e criar outros caminhos, Portugal já exprimiu a sua adesão a esta hipótese, algo que é discutÃvel e mesmo lamentável, ainda que se compreenda a nossa dependência dos Estados Unidos por causa da crise económicaâ€, defendeu D. Januário. A guerra justa é, no quadro do ensinamento moral da Igreja Católica, uma solução de última instância e apenas para casos de legÃtima defesa, o que não se enquadra no conceito de guerra preventiva. “Os meus critérios são os do Evangelho, que são os da cultura da vidaâ€, conclui. Na sua crónica “O Compasso do tempo†D. Januário contestava, ainda, o continuado embargo internacional ao povo iraquiano: «Que não fiquem dúvidas: Sadam Hussein é, pelo menos, um ditador. Que não haja perplexidades: a “arte de pensar†não é uma arma de anti-americanismo ... Talvez que a fonte principal do anti-americanismo seja mesmo o americanismo, tal como o vemos e lemos, cultivado e propostoâ€. “Nessa função crÃtica de algumas posições americanas tem-me chamado a atenção o papel de Denis Halliday, antigo coordenador do Secretariado Geral de Ajuda Humanitária da ONU para o Iraque, entre Agosto de 1997 e Outubro de 1998, altura em que se demitiu como protesto contra o uso continuado das sanções do embargo. No seu discurso de demissão, afirmou: “Estamos num processo de destruição de uma sociedade inteira. É tão simples e aterrador como isso. É ilegal e imoral.â€Â» Ordinariato Castrense Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...