Cristãos, judeus e muçulmanos promovem iniciativa conjunta
Os peregrinos portugueses podem estar de regresso à Terra Santa. Ao longo de muitos anos, várias foram as paróquias e movimentos que fizeram da terra de Jesus um destino obrigatório, mas as imagens de violência e o receio dos atentados afastaram progressivamente muitos cristãos.
Francisco Moura, director do departamento de turismo religioso da Geotur, falou à Agencia ECCLESIA da grande aposta em Jerusalém para 2005. Este responsável está ligado ao turismo religioso há largos anos e assume que considera uma “missão” olhar de forma especial para a Terra Santa. De tal maneira que espera promover uma peregrinação conjunta com cristãos, judeus e muçulmanos.
“Convidei as três comunidades a peregrinarem em conjunto e elas mostraram-se muito receptivas. Espero que no próximo ano a iniciativa se possa realizar, na última semana de Setembro, como ficou acordado, para rezar pela paz”, revela.
Um grupo de sacerdotes portugueses, acompanhados por D. Teodoro de Faria e Francisco Moura, estiveram na Terra Santa no passado mês de Novembro.
Os peregrinos portugueses visitaram os Patriarcados grego-católico e latino, onde foram recebidos pelos chefes religiosos locais. “Eu fiquei sensibilizado com os apelos dos Patriarcas”, assegura Francisco Moura.
No ano de 2003, vários episcopados da Europa visitaram a Terra Santa e observaram as dificuldades do abandono a que estavam sujeitos os seus habitantes. Na sequência desta visita, as conferências episcopais da Itália, Espanha e França estiveram na terra de Jesus para darem um sinal de confiança e segurança com a sua visita.
Portugal não poderia ficar de fora, pelo que se espera que 2005 seja o ano do regresso dos peregrinos. Na volta da sua visita, D. Teodoro de Faria assegurou que “há condições de segurança para visitar a Terra Santa, e que tanto os cristãos como os muçulmanos e judeus esperam e agradecem esta presença”.
Avaliando a viagem de reconhecimento da operação, Francisco Moura diz ter encontrado melhorias qualitativas na oferta de Israel, que passam por mais segurança, melhores serviços hoteleiros e uma profissionalização dos receptivos.
“Encontrámos centenas de autocarros, total tranquilidade em volta das igrejas, mesmo em Belém”, refere.
Para o turismo religioso, não existe nenhum destino que possa ocupar o lugar da Terra Santa. Francisco Moura está convencido que as dificuldades dos últimos anos servirão para “redescobrir a magia destes locais”.
Hoje, 22 de Dezembro, vive-se um dia de jejum e oração pela paz no Médio Oriente. Os membros da Conferência dos Bispos Latinos das Regiões Árabes (CELRA) e da Conferência da Região do Norte da África (CERNA), justificam o dia dedicado ao jejum e à oração pela paz na Terra Santa, afirmando que “o conflito na Terra Santa diz respeito a todos os cristãos, que têm a consciência de que as suas raízes espirituais residem na terra da redenção”.
Testemunho de D. Teodoro de Faria• A Terra Santa continua a atrair numerosos peregrinos