Porto: CÃrculo Católico Operário, espaço «aberto a todos, independentemente da sua fé»
D. António Francisco dos Santos presidiu aos 118 anos da entidade
Porto, 21 jun 2016 (Ecclesia) – O bispo do Porto presidiu à Eucaristia de aniversário do Círculo Católico Operário local que apresentou como “pioneiro” no seu campo específico “de pensamento e da ação” da doutrina social cristã.
“Certamente que as realidades diferentes que agora vivemos obrigam-nos a um espírito criativo e imaginativo para encontrarmos as respostas necessárias e adequadas para os problemas novos, que temos pela frente”, disse D. António Francisco dos Santos.
Na homilia enviada hoje à Agência ECCLESIA, o prelado assinala que o Círculo Católico Operário do Porto é um “verdadeiro património da cidade” e tem hoje “caminhos abertos para prosseguir com imaginação e ousadia o seu desígnio de missão”, mesmo sendo uma instituição particular de solidariedade social.
Segundo o bispo do Porto, a instituição como católica “na sua génese, nos seus propósitos e sobretudo nos seus membros”, o Círculo Católico local foi “sempre um espaço aberto a todos, independentemente da sua fé” e é assim que querem e devem “continuar”.
“Não esqueçamos o seu programa fundador, publicado a 17 de junho de 1899”, apelou, destacando o “muito caminho” percorrido no mundo do trabalho em Portugal também “graças” ao Círculo Católico Operário e exemplificou com a afirmação “corajosa e persistente do direito ao descanso dominical para os trabalhadores”, que foi legislado pelo Governo em 1907.
Nos 118 anos da fundação do Circulo Católico Operário do Porto, D. António Francisco dos Santos sublinhou que são chamados hoje a ser “porta aberta para lutar” pelo direito ao trabalho digno, ao salário justo e equitativo, ao respeito pelo “lugar e valor” da família no mundo do trabalho.
“Pertence-lhe igualmente afirmar o valor insubstituível do empreendedorismo e do esforço dos empresários, por mais pequenos que sejam, no serviço da justiça, no progresso social e no desenvolvimento dos povos, que nunca se conseguirá sem a lucidez e a verdade da economia e sem a audácia e a persistência dos empreendedores”, desenvolveu, na celebração deste domingo.
O bispo diocesano assinalou que Círculo Católico Operário, fundado a 09 de junho de 1898, Solenidade do Corpo de Deus, “não é fruto” de elites sociais ou de decisões da hierarquia e foi uma “pujante” associação de católicos “não só para operários” desde o início, sendo “casa de cultura, escola de formação cristã, espaço de partilha solidária e palco de debate livre”.
O prelado convidou a alargar o “olhar ao contexto daquele tempo” com a Europa e Portugal a viveram um contexto social, económico e político de “verdadeira mudança, com enormes desafios”, sobretudo das ideologias ao tempo e da revolução industrial com “novas conquistas” científicas e tecnológicas e profundas e aceleradas transformações sociais, como o operariado.
Os Círculos Católicos de Operários nasceram dessa visão interpretativa do lugar e da missão dos leigos no mundo do trabalho e “empenhados na transformação social, cultural e política”, assinalou o bispo do Porto, que na homilia destacou ainda os mais significativos documentos papais na área social a começar pela Encíclica ‘Rerum Novarum’ de Leão XIII, de 15 de maio de 1891, “verdadeira fonte e matriz da doutrina social da Igreja”, até à “recente e inovadora” Encíclica ‘Laudato Si’, do Papa Francisco.
CB/OC
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