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Portugal: Liga Operária Católica defende o direito ao trabalho digno e critica «deliberada desvalorização» do emprego

Agência Ecclesia
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Lisboa, 08 abr 2016 (Ecclesia) – A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) promoveu quatro encontros de formação com o objetivo de debater e aprofundar a Síntese das Revisões de Vida Operaria, com vista ao Congresso Nacional de 10 e 11 de junho.

“Uma política clara e deliberada de desvalorização do trabalho; Trabalho, dimensão fundamental da pessoa humana” e “estar comprometido na ação transformadora” são os três pontos que se destacam da síntese das Revisões de Vida e da reflexão dos oradores convidados e consequentes debates dos encontros de formação.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, pelo coordenador Nacional da LOC/MTC, do primeiro item os trabalhadores cristãos observam que se desenvolveu uma “política clara e deliberada de desvalorização do trabalho”, durante os últimos três anos que assumiram como prioridade de ação uma “sociedade justa e sustentável, com trabalho para todos”.

Para o movimento foram “muitas as mudanças” na vida dos trabalhadores e das suas famílias “para pior, na generalidade”.

“Num processo de destruição do contrato social com uma estratégia progressiva de transferência dos rendimentos do trabalho para o capital, através da diminuição de salários e pensões e da retirada de direitos do lado do trabalho”, analisam.

A LOC/MTC assinala que “alimentou-se” a ideia dos riscos que geram vários cenários de “medos velhos e novos”, como: “Medos dos colegas, das chefias, de perguntar, de perder o emprego, de falta de futuro, especialmente a juventude; Medos do clima, há décadas não se pensava muito nisso, dos offshores.

“Esta realidade, que ofende a dignidade humana, tem graves consequências para as famílias, pois muitas perderam a habitação, o trabalho e outras condições para viver, deixando de poder assegurar o acesso à educação, à cultura, à saúde ou à justiça, direitos humanos fundamentais”, alerta.

No segundo ponto - ‘Trabalho, dimensão fundamental da pessoa humana’ – o movimento recorda que têm lutado por “trabalho para todos” e destaca a intervenção dos que “ainda não perderam a capacidade de indignação” e continuam a “teimar na exigência”, como o Papa Francisco e o bispo de Beja, D. António Vitalino.

“O trabalhador tem de perceber o seu valor e continuar a afirmar e defender o direito ao trabalho digno, através da organização dos trabalhadores nos seus sindicatos e da reativação da Contratação Coletiva de Trabalho”, acrescenta o comunicado.

“Que fizeste do teu irmão?”, é a pergunta/alerta aos cristãos quanto aos desempregados, os precários, os pobres que são uma “realidade cada vez maior”

“Também nos ‘deixamos levar’ pelo deus ‘consumo’ e é preciso mudar, procurar outro estilo de vida, olhar e atender quem não ganha o pão com o seu trabalho por falta de emprego”, observa.

Os trabalhadores cristãos apelam, no imediato, à solidariedade “junto de pessoas e instituições em dificuldade” porque as precariedades e as inseguranças “não podem ser normalidade” e “valorizando o trabalho é possível diminuir o sofrimento”.

No comunicado, a equipa executiva nacional revela que Américo Carvalho Mendes, José Manuel Pureza, Manuel António Ribeiro e Manuel Carvalho da Silva ajudaram a “analisar” a situação atual e a “discernir desafios e caminhos” que possam contribuir para que haja trabalho digno para todos.

Cerca de 200 militantes e simpatizantes do movimento participaram nos quatro encontros de formação nas Dioceses de Braga; Aveiro Setúbal e Porto, realizados em março.

CB