Portugueses acolheram a causa dos índios brasileiros
Índígenas das tribos macuxi e uapixana terminaram hoje périplo europeu em defesa da Terra Raposa Serra do Sol
Num comunicado que faz o balanço da visita, os indígenas afirmam ter “sofrido muito as invasões de fazendeiros, garimpeiros e agora dos grandes empresários de arroz. Mas Raposa Serra do Sol é terra indígena e qualquer outra ocupação não descrita no decreto de homologação é uma invasão que deve ser combatida".
O comunicado afirma ser "fundamental que se apurem todos os casos de violência contra a vida e património dos povos indígenas, bem como os crimes cometidos durante a resistência" aos alegados invasores.
“A questão fundamental hoje não é mais defender ou fundamentar os nossos direitos, mas sim exigi-los e garanti-los, de modo a que não fiquem apenas escritos nas Constituições de nossos países ou nas grandes declarações. Exigimos que seja respeitada a lei, e a lei reconhece e protege nossos direitos e nossa terra”.
Na sua declaração os representantes da indígenas afirmam que o decreto de Homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol “deve ser mantido, e isso significará um passo importante na consolidação de nossos direitos e dos direitos de todos os homens e mulheres”. A manutenção do decreto significa “frtalecer a Constituição Federal do Brasil frente aos interesses particulares de fortes poderes económicos que nos fazem crer que representam os interesses de todos”.
Os representantes sublinham ainda a importância de todos os países europeus ratificarem a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, como instrumento normativo de reconhecimento internacional de nossos direitos”.
Causa simbólica
A causa dos indígenas macuxi e uapixana é simbólica, entre tantas outras que acontecem no Brasil ou noutros pontos do mundo. “A forma como for resolvido o problema da Terra Indígena Raposa Serra do Sol no Tribunal, terá consequência para outros povos”, explica o promotor português.
O Pe Elísio Assunção aponta que a vinda dos representantes indígenas a Portugal é também uma oportunidade para a ratificação da Convenção 169 da OIT, que fala sobre a inter-relação entre os povos indígenas e a sua terra, recursos naturais e oportunidades de desenvolvimento.
“Só três países ratificaram a convenção, mas espero que uma nova fase se abra em Portugal e que o governo aprove em Assembleia da República esta convenção”.
O Pe. Elísio Assunção afirma mesmo que “não temos autoridade moral para falar no Brasil se em Portugal não alinhamos nas declarações e convenções”. O promotor português afirma mesmo estar disponível para em breve lançar uma campanha para a ratificação portuguesa da Convenção 169 da OIT.
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