“Se não resolvermos os problemas da educação, não sei como resolveremos os problemas sociais” – disse à Agência ECCLESIA Luis Oliveira Ramos, director da Faculdade de Ciências Sociais, do Centro Regional de Braga da UCP, a propósito do Congresso “Sociedade, Liberdade e Educação”, promovido pela referida Faculdade, nos dias 22 e 23 deste mês. Com intervenções de vários peritos nesta matéria, Luis Oliveira Ramos adiantou que “no futuro pretendemos manter o debate sobre estas temáticas”.
“Sociedade, Liberdade e Educação”, três conceitos latos mas com uma “certa correlação entre eles” porque o “exercício da liberdade ocorre na sociedade onde um dos factores do desenvolvimento é a educação” – disse. Uma educação muitas vezes contestada, o que leva Luis Oliveira Ramos a salientar que “há sérios problemas na Educação”. Uma assunto muito aflorado no congresso mas para ultrapassar este fumo negro “temos de dinamizar a educação numa perspectiva actual”. Esta não pode ser de “mera transmissão de conhecimentos”. Só ultrapassando este modelo é que “podemos caminhar para uma resolução dos problemas da nossa sociedade”.
Para eliminar os problemas vividos no panorama educativo, o director da Faculdade de Ciências Sociais apela para que cada um assuma “em liberdade as suas responsabilidades: professores, alunos e famílias”. Todos os que “estão envolvido neste processo”. E acentua: “não será por via legislativa que conseguiremos que as pessoas façam melhor o seu trabalho”. A consciencialização da importância do trabalho em comum é fulcral porque “cada um tem de dar, participar e receber” – afirma Luis Oliveira Ramos.
As medidas tomadas pelo Ministério da Educação causam «sempre» alguma celeuma porque “estamos perante um ministério problemático: trata de áreas sensíveis (dizem respeito a muita gente) mas por outro lado as pessoas não compreendem a mudança”. Com a aproximação das comemorações dos 30 anos de vivência democrática no nosso país que trouxe consigo a liberdade, Luis Oliveira Ramos realça que o “problema da educação já existia antes do 25 de Abril”. Mas deixa um lamento: “actualmente, fala-se mais dos casos negativos” e “deixa-se para segundo plano as resoluções positivas”.