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Processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria foi retomado em Lisboa

Octávio Carmo
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O processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, D. Nuno Álvares Pereira, foi reaberto no dia 13 de Julho, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com a sessão solene presidida por D. José Policarpo. O Cardeal Patriarca de Lisboa definiu nessa celebração o Beato Nuno de Santa Maria como um modelo a seguir por todos os que exercem funções de responsabilidade. "Ele é um exemplo de um cristão que exerceu as suas missões civis com a coerência de um cristão" e, por isso, um modelo a seguir por todos os que exercem funções de responsabilidade, sejam elas civis ou militares, sublinhou. O Cardeal Patriarca de Lisboa lembra, ainda, que a reabertura do processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria servirá, sobretudo, para alargar a toda a Igreja um culto que já é bem real no nosso país. Frei Francisco José Rodrigues, da Ordem do Carmo, já explicara à Agência ECCLESIA que se aguarda o reconhecimento de um milagre com a intercessão do Beato Nuno para que o processo se conclua com maior prontidão, algo que segundo as palavras do Vice-Postulador da causa de canonização “não deve tardar muito, embora não se possam colocar prazos ao plano de Deus.” A história deste processo já poderia ter conhecido o seu epílogo quando em 1947 o papa Pio XII se manifestou interessado em canonizar o Beato português por decreto. O estado lastimável de uma Europa destruída pela II Guerra Mundial fez, porém, com que a Igreja portuguesa recusasse este motivo de festa. Como primeiro acto da cerimónia decorrida em 13 de Julho, o Postulador da Causa solicitou ao Patriarca de Lisboa a autorização para a referida retoma. Em Decreto que o Patriarca de Lisboa assina, consta a anuência ao pedido feito. Segue-se a leitura deste Decreto, bem como dos Decretos que instituem os órgãos canónicos, a saber: o Tribunal, a Comissão Histórica e a Postulação. Finda a leitura dos Decretos, as personalidades responsabilizadas neste Processo proferiram o seu juramento. As etapas seguintes passam pelo estudo dos pontos fundamentais da vida e da virtude do Bato Nuno, a inquirção de testemunhas sobre a ctualidade do culto e da santidade do mesmo e, como adiantámos em 6 de Novembro, pelo milagre necessário. Nesse sentido, o Patriarcado de Lisboa pede que qualquer notícia da concessão de graças e ofertas sejam encaminhadas para a Postulação (Rua de Santa Isabel, 128, 1250-208 Lisboa). O processo para o reconhecimento da santidade do Beato Nuno de Santa Maria, D. Nuno Alvares Pereira está assim a decorrer pela Cúria Patriarcal de Lisboa. Como relata o Patriarcado de Lisboa, trabalhos levados a cabo pelos Cardeais Patriarcas de Lisboa D. José III (1883-1907) e D. António I (1907-1929), secundados pela Ordem do Carmo, culminaram com o Decreto da Congregação dos Ritos “Clementissimus Deus” de 15 de Janeiro de 1918, ratificado e aprovado pelo Papa Bento XV em 23 do mesmo mês e ano. Esses trabalhos, retomados pelo Episcopado Português, culminaram com a já referida permissão de Pio XII para que o processo da canonização prosseguisse. Mais recentemente consultada, a Congregação para as Causas dos Santos foi de parecer que sobre a concessão de Pio XII se elaborasse a continuação do processo respectivo. A Conferência Episcopal Portuguesa, na sua Reunião Plenária de 5-8 de Maio de 2003 em Fátima, deu parecer favorável por unanimidade à continuação do processo, nos seguintes termos: “Havemos por bem: 1 – Determinar aos nossos amados diocesanos e pedir a todos os que tenham documentação, pró ou contra, referente ao Beato Nuno (Santo Condestável), a entreguem no prazo máximo de 30 dias na Chancelaria Patriarcal de Lisboa. Quem deseje ficar na posse dessa documentação, poderá entregar fotocópia que será autenticada mostrando simultaneamente o original em qualquer Chancelaria Eclesiástica. 2 – Agradecemos aos Rev.mos Párocos, em cujas paróquias se conserve a Sua imagem ou se promovam actos de culto em Sua honra, o obséquio de circunstanciadamente informarem quanto antes a Chancelaria Patriarcal (Mosteiro de S. Vicente de Fora - Campo de Santa Clara – 1149-085 Lisboa).”


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