A população de Vila Praia de Âncora enfeitou as suas ruas para ver passar a Procissão de Nossa Senhora da Bonança, que teve como tema central o Ano da Eucaristia.
Após a passagem dos quatro primeiros andores, transportados pelos Bombeiros Voluntários, o Grupo Etnográfico, o Orfeão e a Companhia de Guias de Portugal e Escuteiros de Vila Praia de Âncora, surgiu o primeiro quadro bíblico intitulado “Ano da Eucaristia, Luz e Vida do Novo Milénio”, estando assim lançado o tema central da procissão. Seguiram-se a partir daqui 12 quadros bíblicos que tiveram como temas a “Anunciação do Arcanjo S. Gabriel”, a “Visita de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel”, o “Nascimento do Menino Jesus em Belém”, a “Pesca Miraculosa – Jesus ensina o Povo na barca de Pedro”, a “Promessa da Eucaristia”, a “Instituição da Eucaristia”, “Cristo é a Ressurreição e a Vida”, “O Sangue de Cristo é alimento dos Santos e fortaleza dos mártires”, “Tomai o Corpo e Sangue de Jesus Cristo…”, “Eu sou o pão vivo que desci do Céu…”, “Jesus Cristo está presente na Eucaristia”.
Os 23 andores que integraram a procissão, presidida pelo Vigário Geral da Diocese de Viana do Castelo, Monsenhor Sebastião Pires Ferreira, foram enquadrados nestes quadros bíblicos, que contaram com a participação de cerca de duas centenas de figurantes. Um dos momentos mais aguardados pelos milhares de fiéis que rumaram a Vila Praia de Âncora foi quando o andor da Senhora da Bonança, em forma de barco e transportado por oito pescadores, chegou junto ao nicho do Senhor dos Aflitos, perto do farol e da praia, e se procedeu à Bênção do mar.
Esta bênção foi antecedida de um sermão proferido pelo padre Franciscano, vindo de Vila Real, José Lima. A procissão retomou depois o seu percurso de regresso à Capela de Nossa Senhora da Bonança.
Em declarações ao Diário do Minho, o presidente da Comissão de Festas deste ano defendeu que esta é uma das mais importantes romarias do Alto Minho. «Temos o prazer de mostrar a todo o Vale do Âncora e todo o país as nossas festividades que são das maiores e mais lindas do Norte de Portugal», disse.
Segundo José Pereira, há muitas pessoas que vêm de várias partes do país só para participar nesta festa. Por outro lado, há também muitos emigrantes que tiram agora as suas férias só para estar em Vila Praia de Âncora nesta altura. Quem não quis deixar de estar mais uma vez presente na procissão de ontem foi o presidente da Região de Turismo do Alto Minho.
Questionado sobre as particularidades desta festa dos homens do mar, Francisco Sampaio realçou o facto de todos os andores serem engalanados com os chamados “ramos de andores”. «Estes palmitos são feitos por uma casa artesanal, utilizando papel metalizado, mas que já foi couro e palhão. Agora é papel metalizado, mas não deixa de ter esta alegria que é tão típica das nossas romarias e, neste caso, em honra de Nossa Senhora da Bonança », disse. Por outro lado, o facto de se verem muitos espanhóis nas ruas de Vila Praia de Âncora nesta ocasião também não impressiona o presidente da RTAM.
«Esta era uma terra que tinha pescadores e também os chamados homens da freguesia. E a grande colónia que aparece aqui no século XVIII são os galegos, que vieram para aqui para ter a arte das pescas. A partir daí, ficaram por cá e já fazem parte até da própria toponímia de Vila Praia de Âncora. Os “Verdes”, por exemplo, têm origem galega. Só por isso, ele vêm e são imensas as promessas que fazem à Senhora da Bonança», explicou.