Nacional

Religião e secularização

Octávio Carmo
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Quebra da prática religiosa contrasta com aumento da discussão nos espaços públicos

A relevância da religião nas sociedades modernas não está em quebra, apesar da progressiva secularização, num processo de separação das instituições civis ou educativas do controlo eclesiástico. Esta questão levou o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) a reunir numa mesa-redonda três dos dos principais estudiosos mundiais da sociologia da religião Thomas Luckmann, José Casanova e Hubert Knoblauch, juntos para debater a emergência de uma sociedade pós-secular e a actual situação religiosa da Europa. O coordenador deste encontro é Steffen Dix, investigador pós-doutoramento no ICS onde desenvolve projectos na área da religião e a religiosidade em Portugal. Em declarações à Agência ECCLESIA, o especialista frisa que, apesar da visível diminuição da prática religiosa, “a discussão das grandes questões religiosas em espaços públicos aumentou significativamente nos últimos anos”, em particular na comunicação social. Este facto tem levantado algumas questões junto dos estudiosos desta temática, que apresentam razões para duvidar da diminuição da relevância da religião no mundo de hoje. “Há um certo paradoxo no declínio da religião institucionalizada e na relevância da religião” no mundo mediático, assinala. Steffen Dix tem vindo a estudar a religião e a religiosidade em Portugal, nomeadamente o pluralismo religioso nos centros urbanos. O aumento dos fluxos migratórios nas últimas décadas favoreceu a diversidade religiosa, sobretudo em Lisboa, Porto e Algarve. O estudioso alerta ainda para a existência de uma “pluralidade dentro do próprio catolicismo, a religião dominante em Portugal”, o que lhe permite ser “relativamente forte quando em comparação com as Igrejas protestantes”. Nas sociedades europeias pós-seculares, Steffen Dix – que destaca ser este um fenómeno ainda recente - considera que a Igreja tem tentado “adaptar-se”, procurando mesmo entrar no mundo mediático para “discutir assuntos políticos ou económicos”. Dix é apologista de uma perspectiva interdisciplinar e de cruzamento teórico no estudo dos fenómenos religiosos. Foto: Santuário de Fátima


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