Religiosos portugueses assumem desafios de futuro Octávio Carmo 09 de Fevereiro de 2005, às 17:45 ... XXI semana de estudos sobre a Vida Consagrada Abalada ciclicamente por crises de vários tipos, a Vida Consagrada permanece após séculos de história como uma das referências fundamentais da Igreja Católica no nosso paÃs. Cerca de 1250 religiosos e religiosas portugueses estiveram reunidos em Fátima de 5 a 9 de Fevereiro para perceber, em que medida, são precisos “Novos ventos, novos tempos†num caminho marcado pelos 50 anos das duas confederações nacionais dos Institutos religiosos. Sociólogos, especialistas em Vida Consagrada, religiosos e religiosas a trabalhar em diversas áreas eclesiais ou sociais fizeram da XXI semana de estudos sobre a Vida Consagrada um momento fundamental para analisar quais os “dados e interpelações†mais relevantes que surgiram do “Inquérito sobre os religiosos em Portugalâ€, efectuado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa por ocasião dos 50 anos da CNIR/FNIRF (ver notÃcia relacionada). Na conclusão dos trabalhos, os participantes assumiram que o desconhecimento da Vida Consagrada – segundo o Inquérito da UCP, 42% dos portugueses não têm conhecimento da existência de religiosos na Igreja Católica – deriva de “factores internosâ€, como a diminuição dos factores de identificação da Vida Religiosa ou o conhecimento superficial da mesma dentro da própria Igreja, além da existência de novos tipos de Consagração, como os Institutos Seculares ou os leigos consagrados. Além destes, foram apontados “factores externosâ€, mais relacionados com o grupo dos que não pertencem à Igreja e com a falta de instrução de boa parte da população. “A Vida Religiosa é um dom do EspÃrito à Igreja e por isso não o podemos guardar apenas para nós, mas ter a preocupação de dar a conhecer esta opção como um sinal do absoluto de Deus na Igrejaâ€, refere o texto. Estas interpelações feitas pelo Inquérito são assumidas de forma séria, não como uma “reforma cosméticaâ€, mas no sentido de “partir de Cristo para navegar sem medo nestes novos ventos e nestes novos temposâ€. A solução pode passar, em alguns casos, por entregar algumas das obras a leigos especializados, para que os religiosos e religiosas se dediquem a dar “espÃrito e orientação cristã†à s mesmas. Em declarações à Agência ECCLESIA, o Pe. José Augusto Leitão, um dos responsáveis por este balanço, revela que os Institutos Religiosos foram desafiados a interrogarem-se sobre a sua disponibilidade para “abrir as portas e dar um testemunho visÃvel, próximo dos outrosâ€. Os dados do Inquérito também permitem adivinhar alguns aspectos positivos relativos aos ventos de mudança na Vida Consagrada, deixando lugar a uma opção “pela qualidade sobre a quantidade†sem medo do futuro. “Estes aspectos positivos devem ser potenciados, no sentido de dotar a Vida Religiosa de uma maior qualidade, em fidelidade ao EspÃritoâ€, assinalam os participantes no encontro. Entre os “sinais†que devem ganhar mais visibilidade, o destaque vai para os três votos – pobreza, castidade e obediência -, pouco conhecidos na Igreja e na sociedade. “Nós não temos conseguido passar esta mensagem de ser uma alternativa feliz e libertadora aos ideais da nossa cultura, como a segurança monetária, as relações autocentradas na realização ou o desejo de poderâ€, assumem os religiosos. Nesse sentido, as Ordens e as Congregações Religiosas em Portugal propõem-se lançar uma reflexão sobre a forma de viver esses mesmos votos e a mensagem que eles conseguem, ou não, passar. NotÃcias relacionadas • Vida Religiosa em Portugal à procura de novos rumos Vida Consagrada Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...