Nacional

Seminários convidados a terem «comportamentos novos»

Diário do Minho
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D. Jorge Ortiga na abertura solene das aulas

D. Jorge Ortiga desafiou ontem os seminaristas a assumirem os riscos necessários para se ultrapassar o clima de crise instalado na sociedade. «Se muitos falam de crise, nós interpretamos esta palavra para reconhecer a urgência de comportamentos novos», afirmou D. Jorge Ortiga no discurso que proferiu na sessão solene de abertura do ano lectivo dos Seminários da Arquidiocese de Braga. «Se o Seminário se evidenciar pelo contributo positivo, o presbitério não fica indiferente e será, para a Igreja e para a sociedade, este sinal de confiança», explicou o prelado bracarense, que falava aos seminaristas, formadores e párocos, que lotaram o auditório São Frutuoso, no Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo. O prelado advertiu que «o comodismo e o facilitismo não realizam ninguém» «Aceitemos os riscos da aventura evangélica para ser oportunidade dum mundo novo», apelou o Arcebispo de Braga, que, sem perder a oportunidade, interpelou os presentes acerca do tratamento que deve ser dado a nível arquidiocesano à temática familiar, que marca o triénio 2005/2008. «Como trabalharemos a família num programa pastoral, se o presbitério não é família? Como será família, se o Seminário não o for desde já? Eis a esperança que se torna certeza: dar um contributo preciso à família diocesana que, sacramentalmente, reconhecemos e que, existencialmente, devemos construir e testemunhar », explicitou o prelado bracarense, que, baseado nas comemorações do 40.º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, lançou algumas chaves de leitura da realidade sócio-cultural e eclesial. «Na época [o Concílio] foi esperança. Estará a ser repertório de documentos a recordar e a citar nas circunstâncias variadas?», questionou D. Jorge Ortiga, que, tomando para si as palavras do Papa Bento XVI, também realçou a importância do II Concílio do Vaticano como «bússola para navegar no mar aberto do novo século». Entretanto e a exemplo do que sucedera na celebração eucarística que antecedeu a sessão solene, o prelado confiou aos formandos «o encargo dum protagonismo cheio de juventude para ser esperança para o mundo hodierno». «Não vos deixeis prender a futilidades, mas aproveitai o tempo para vos apaixonardes por tudo quanto possa interessar à vida diocesana. O comodismo e o facilitismo não realizam ninguém», acrescentou o responsável, que não deixou de assumir publicamente que «a Arquidiocese não regateia esforços e canseiras para criar condições que facilitem a formação». «Vamos apostar num estilo de vida que grite o Evangelho com capacidade de “incomodar”. O futuro da Igreja depende de nós», concluiu.


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