Nacional

Seminários interdiocesanos devem ser repensados

Diário do Minho
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Defendeu o Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios

O Bispo Auxiliar de Braga D. António Francisco dos Santos defendeu ontem que os modelos dos seminários interdiocesanos devem ser repensados. «Cada vez mais o seminário deve ser um espaço significativo e formativo mas próximo das condições reais em que se realiza habitualmente o ministério sacerdotal», explicou D. António Francisco dos Santos, acrescentando que está em causa a «proximidade com o presbitério e com a realidade pastoral». O prelado não pôs em causa «a necessidade do seminário como ambiente formativo dos futuros sacerdotes ». O que se impõe — defendeu — é «concebê-lo como uma experiência original viva da vida da Igreja, em que o bispo diocesano se torna presente através do ministério do reitor e do serviço de corresponsabilidade e de comunhão de toda a equipa formadora, em ordem ao crescimento espiritual e apostólico dos alunos», ou seja, dos seminaristas. Nesse sentido, «toda a vida, programa, actividades, normas e ambiente do seminário deve estar ao serviço, sem hesitações nem desvios ou espaços vazios, da finalidade específica, a única que justifica a existência do seminário — formar os futuros presbíteros, pastores da Igreja». «Mais do que ser um lugar ou um espaço material, o seminário deve ser um ambiente espiritual, de oração, de celebração e contemplação; deve ser um itinerário de vida, uma atmosfera que favoreça e assegure um processo formativo de modo que aquele que foi chamado por Deus ao sacerdócio possa ser, pelo sacramento da Ordem, uma imagem viva de Cristo Cabeça e Pastor da Igreja», disse também D. António Francisco dos Santos, citando a Exortação apostólica pós-sinodal “Dar-vosei pastores” (Pastores dabo vobis), de João Paulo II. Por esta razão é que o prelado preferiu ontem falar do Seminário como “caminho da vocação ao ministério”, em vez de “Seminário, presbitério em gestação”. No entanto, avisou o Bispo Auxiliar de Braga e actual presidente da Comissão Episcopal para as Vocações e Ministérios, Seminário e Presbitério são duas realidades interligadas. «Os nossos presbitérios diocesanos — disse o prelado — dependem permanentemente da qualidade da formação desenvolvida nos seminários e da vida nova que daqui parte em cada primavera de ordenações para rejuvenescer todas as outras estações de intenso labor ministerial». Na sua intervenção, após a apresentação dos relatórios de actividades dos Seminários de Braga no ano 2004-2005, D. António Francisco dos Santos admitiu a «aproximação de um tempo e de uma sociedade em que os padres deixarão de viver situações privilegiadas e em que o número de sacerdotes corresponda quase por inteiro ao número das paróquias no sentido tradicional». Uma situação que reclama «uma nova maneira de afrontar, enfrentar e assumir a formação nos seminários».


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