Nacional

Serviço Jesuíta aos refugiados encerra ano de dificuldades

Octávio Carmo
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O Serviço Jesuíta aos Refugiados em Portugal (JRS) encerrou no passado dia 28 de Julho mais um ano de trabalho, marcado pela nova lei da Imigração e pela quase total ausência de respostas a oferecer. “Foi um ano particularmente difícil, principalmente porque os imigrantes estão muito deprimidos. A legalização não foi possível, havia expectativas – muitos têm trabalho, fazem os descontos – que não se concretizaram, além da distância e da solidão”, confessa à ECCLESIA a directora do JRS-Portugal, Rosário Farmhouse. A festa de ontem, ainda assim, comemorava o final de alguns cursos de português, que permitiram aos imigrantes uma maior autonomia, até porque os tradutores muitas vezes enganam, como alerta Rosário Farmhouse. Uma imigrante romena, há 11 meses no nosso país atesta os efeitos quase imediatos desta escola de português. “Foi difícil porque não conhecia a língua, mas graças a esta escola estou melhor e só preciso de mais algum tempo. As pessoas são muito acolhedoras e gostam de ajudar, é mais fácil aqui do que noutros países”, confessa. O número de pessoas que procuraram o JRS neste último ano não tem aumentado, em grande parte devido à falta de respostas. “Temos de 30 a 40 pessoas por dia a procurar-nos nas diversas áreas, mas quando não há respostas eles passam a palavra aos outros e menos gente nos procura”, revela a directora do JRS-Portugal. “As pessoas procuram-nos mais para aconselhamento pessoal do que para soluções legais, porque estas não existem: quem está ilegal fica sem emprego, sem casa, sem comida. Não há tantas ajudas como gostaríamos, lamentavelmente”, acrescenta. Os apelos aos empregadores e ao apoio financeiro para este trabalho nem sempre têm surtido efeito, uma situação tanto mais complicada quanto menos o Estado tem apoiado os imigrantes no nosso país, afirma Rosário Farmhouse: “o dinheiro é sempre necessário e nós neste momento temos tido muitos gastos com o retorno de alguns imigrantes. Os programas de retorno voluntário estão encerrados e as pessoas estão muito desesperadas, chegam mesmo a tentar o suicídio, pelo que queremos ajudá-las”. Um último comentário vai para a regularização dos ilegais brasileiros, prometida pelo governo português. “Fico feliz porque os brasileiros se possam legalizar, mas todos os outros imigrantes que estão a trabalhar e com descontos devem poder ter a mesma oportunidade. Não me parece correcto que, estando a falar de trabalhadores em igualdade de circunstâncias, haja discriminações”, conclui.


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