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UCP tem de repensar o seu papel

Diário do Minho
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D. José Policarpo apela à reflexão em momento de exigência

O Cardeal-Patriarca de Lisboa presidiu ontem à inauguração oficial e bênção do Campus Camões, do Centro Regional de Braga da Universidade Católica, onde deixou um apelo «à reflexão interna» sobre o papel da universidade no futuro, apontando “a excelência†como o mais importante critério orientador da sua acção, independentemente do debate entre o ensino público e privado. Falando no encerramento da sessão solene, D. José da Cruz Policarpo afirmou que actualmente «não é surpresa para ninguém que a Universidade Católica atravessa um momento de exigência e reflexão», pelo que tem de «repensar o seu papel num mundo que evoluiu e na sua função na sociedade e no ensino universitário». O Magno Chanceler da Católica referiu que grande parte da sua vida esteve ligada a esta instituição, da qual foi um dos pioneiros a “plantar a árvoreâ€, professor e depois reitor, razão pela qual esta esteve sempre «no centro das suas preocupações ». O Cardeal-Patriarca entende, contudo, que mais importante que a discussão entre ensino público e privado é a qualidade da formação. «Temos andado muito preocupados com a diferença de tratamento entre o público e o privado», afirmou D. José Policarpo, frisando que «se as universidades querem olhar para o futuro com solidez têm que ter como novo critério a excelência». «Há universidades excelentes, assim-assim e medíocres e nós queremos e temos estar entre as excelentes», realçou. D. José Policarpo salientou ainda que «a excelência não se afirma pela quantidade», mas passa por dois critérios essenciais: «adaptar a universidade às exigências de uma cultura e identidade nacional, sem transigir em “pragmatismos de eficáciaâ€; e perceber que áreas e cursos são necessários ao seu desenvolvimento e à consolidação da sua missão». O Patriarca de Lisboa mostrou- se convicto de que os responsáveis da Católica de Braga vão aceitar e responder positivamente aos desafios do futuro, e deixou o apelo: «olhemos para o horizonte do mundo e perguntemo-nos que universidade queremos construir ». Neste sentido, a instituição iniciou ontem à noite, em Braga, uma reunião de reflexão estratégica para toda a universidade, por forma a definir o rumo a tomar face aos novos desafios do ensino superior. “Laboratório Cultural†Antes do Patriarca de Lisboa, D. Jorge Ortiga procedeu à bênção das instalações do Campus universitário e, enquanto patrono do Centro Regional de Braga da Católica, formulou o desejo de que a inauguração deste novo espaço seja «sinónimo da consistência» do Centro Regional, para «ultrapassado o período de “instalação†permanecer com estabilidade como reconhecimento pelo caminho percorrido». Por outro lado, o Arcebispo desejou que este tempo novo para a Católica em Braga permita fazer do Centro Regional promotor de “Laboratórios Culturaisâ€, como lhes chamou João Paulo II, no sentido de fomentar «um diálogo construtivo entre a teologia, filosofia, ciências do homem e ciências da natureza, acolhendo a norma moral como exigência intrínseca da verdade e condição indispensável para chegar à mesma». Em relação à reconstrução do Campus Camões, D. José Policarpo manifestou também «grande alegria » e felicitou os responsáveis pela obra realizada– que, agora, completou a segunda fase de recuperação ao fim de quatro anos de trabalhos –, considerando que esta tem «uma qualidade e beleza fora do comum O Cardeal-Patriarca lembrou também o papel desempenhado pelo falecido ministro das Finanças Sousa Franco, no regresso do espaço do campus para património da igreja. «Não é todos os dias que vemos regressar à igreja uma propriedade que lhe fora retirada violentamente», assinalou o magno chanceler da universidade, sendo que o agradecimento ao ex-ministro foi secundado por todos os responsáveis, que intervieram na sessão. Reitor lamenta duplicação de cursos em Braga O Reitor da Universidade Católica Portuguesa defendeu, por seu turno, a importância da «ideia de complementaridade» entre as três faculdades do Centro Regional – Ciências Sociais, Filosofia e Teologia – e destas com as outras universidades, notando que foi esta matriz que presidiu ao nascimento da Católica em Braga. Falando na cerimónia de inauguração do Campus Camões concluído ao fim de «quatro anos de obras sem qualquer apoio directo do Governo» – e cujo valor global da intervenção ronda os cinco milhões de euros, Manuel Braga da Cruz lamentou, por isso, a «duplicação de cursos», que nada acrescentam à oferta formativa da cidade. O responsável máximo da instituição defendeu que o novo Campus – onde estão instalados os Serviços Centrais do Centro Regional e a faculdade de Ciências Sociais –, «serve para acrescentar e não para diminuir as demais faculdades, numa lógica de funcionamento complementar, cuja ideia se estendia às outras universidades», ou seja, à Universidade do Minho, embora sem a referir. Braga da Cruz frisou que, desde o aparecimento da Católica em Braga, «o objectivo era colmatar lacunas, mais do que duplicar ofertas existentes», pelo que aproveitou para reafirmar o desejo de que no futuro «volte a prevalecer a ideia de complementaridade e não se reincida em ofertas já existentes», como se verificou com a abertura dos cursos de Filosofia na Universidade do Minho e de Comunicação na Católica. O reitor disse, contudo, «não lamentar a concorrência », mas defende a aposta naquilo que sirva para «enriquecer e inovar a oferta existente», apontando também «a importância da qualidade», no sentido de atrair estudantes de todas as proveniências – tal como já está a acontecer com os alunos de Cabo Verde, que já estão a estudar na Católica de Braga – e de concretizar o sonho de «fazer de Braga um pólo de cidadãos conhecedores do mundo». Sem apoio do Estado Na sua intervenção, Manuel Braga da Cruz agradeceu a todos os benfeitores, que permitiram a conclusão daquela Campus universitário, cujo processo transitou do ex-reitor Isidro Alves, tendo-se iniciado em 2000, quando o espaço retornou à posse da igreja, mercê da intervenção do ex-ministro das Finanças, Sousa Franco, a que se seguiram quatro anos de obras «sem apoio estatal». O Reitor notou que Braga é «uma cidade de clara matriz Católica» e felicitou de modo especial o director do Centro Regional, José da Silva Lima, pelo «esforço extraordinário» que colocou na construção das instalações. «Soube vencer as contrariedades, ultrapassar as promessas não cumpridas e mobilizar apoios de toda a sociedade, para que a obra fosse possível», realçou. «A cidade bem pode considerá-lo um cidadão benemérito, pois a universidade e a igreja muito lhe reconhecem tudo quanto fez com o seu trabalho», disse Braga da Cruz, dirigindo-se ao director do Centro Regional, que abriu a sessão solene com uma extensa lista de agradecimentos aos que colaboraram nas obras de recuperação. Além de Sousa Franco e Isidro Alves, José da silva Lima lembrou a memória de Bacelar Oliveira, que presidiu à universidade durante duas décadas, e de Humberto Vieira, o arquitecto que planeou inicialmente o Campus. Agradeceu também ao edil Mesquita Machado, que «abriu caminhos para este Campus desde o início», ao arcebispo primaz, que orientou, ofereceu e incentivou à dádiva, o que «possibilitou que os mais diversos organismos da arquidiocese tenham oferecido cerca de um milhão de Euros» O director do Centro Regional expressou ainda a sua gratidão ao cónego Eduardo Melo, que graças ao seu trabalho e indicações conseguiu angariar cerca de 500 mil Euros, e às empresas Amândio Carvalho e Casais, que doaram cerca de 100 mil Euros. Mecenato “recupera†Miradouro José da Silva Lima referiu ainda que das entidades públicas só foi possível receber cerca de 50 mil Euros, para a recuperação do miradouro do Sagrado Coração de Jesus, que «é agora um espaço turístico aberto à cidade de Braga, servindo o seu interior de sala de reflexão e de capela para a academia e a universidade». A renovação deste monumento contou também com a importante colaboração dos empreiteiros Casais, que ao abrigo da lei do Mecenato, terão contribuído com «cerca 75 por cento do valor da obra», conforme referiu o responsável da empresa. O responsável da Católica em Braga explicou que a construção global do campus, onde foram recuperados cinco edifícios e construídos dois de raiz, custou cerca de cinco milhões de euros, dos quais estão pagos 4,3 milhões, tendo sido construída pelas firmas Sá Machado e Filhos e Empreiteiros Casais. A Católica dispõe, agora, de estruturas adequadas para cerca de 1500 alunos, tendo este ano 1300 inscritos. A sessão solene, contou ainda com intervenções dos directores das três faculdades, Pio Alves de Sousa (Teologia), Alfredo Dinis (Filosofia) e Oliveira Ramos (Ciências Sociais), que apresentaram os relatórios resumidos e os desafios de cada faculdade. Notícias relacionadas • Universidade Católica em Braga prepara-se para o futuro


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