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Universidade: Professores e estudantes têm de «ser pessoas» mais do que concorrer «por décimas»

Agência Ecclesia
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Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior
Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior

D. Manuel Clemente dialogou com docentes e investigadores no encontro promovido pelo SNPES

Fátima, 22 abr 2017 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa afirmou hoje no Encontro Nacional de Docentes e Investigadores do Ensino Superior que a concorrência por “décimas” na universidade não ajuda os estudantes a “ser pessoas” e tem consequências no percurso profissional.

“Tenho muitas interrogações se a maneira de aprender consegue o objetivo de nos tornar pessoas ou leva a uma concorrência tão desenfreada que, uma vez treinada nesse tempo, se torna prática profissional, não só no mundo do ensino superior, mas em geral”, disse D. Manuel Clemente.

O Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior (SNPES) promove hoje um debate entre docentes e investigadores universitários sobre «o papel do professor cristão na universidade».

Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o modo de aprender na universidade, muitas vezes “individualmente” e com o recurso às novas tecnologias, acentua a concorrência por resultados finais, lutando por “décimas”, como sendo decisivas para o mercado de trabalho.

D. Manuel Clemente recordou os debates entre estudantes católicos nos anos 80, onde se colocava em questão o “partilhar apontamentos” para impedir que o outro não tivesse “mais uma décima”, acrescentando que tal atitude não acontece só entre estudantes, mas também entre professores e investigadores.

Para o cardeal-patriarca de Lisboa, um cristão “guincha” em expressões como “mercado de trabalho”, “recursos humanos”, porque o trabalho “é o homem na sua própria autorrealização”

D. Manuel Clemente desafiou as universidades à criatividade, apostando na criação de postos de trabalho.

“As universidades e as escolas superiores devem criá-lo, devem ser inventá-lo”, afirmou, valorizando as academias como “lugar da criatividade”, que se desenvolve “nos meios autenticamente culturais”.

Para D. Manuel Clemente, o professor deve apostar na “substancialidade cristã” que é “ser pessoa” e consiste sobretudo na sua capacidade de “relação” e de “conviver”.

Sem se manifestar favorável à existência de cursos teologia em universidades públicas, D. Manuel Clemente disse que interessa “valorizar curricularmente” um conjunto de disciplinas “dadas noutras faculdades”, sem confucionismo.

Assim como o laicismo quis retirar cidadania ao tema religião, “o confucionismo pode querer dar uma resposta religiosa, em termos de religiosidade geral que ninguém sabe o que é”, advertiu

“As várias tradições cristãs são muito condensadas, muito baseadas e têm de ser apresentadas como tais”, sublinhou D. Manuel Clemente, sem “receio em relação ao cristianismo autêntico”.

Durante a manhã do encontro promovido pelo Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior D. Manuel Clemente dialogou com docentes e investigadores e de tarde são apresentadas comunicações de Henrique Leitão e Álvaro Laborinho Lúcio.

PR



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