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Vida Consagrada, um tesouro desconhecido

Agência Ecclesia
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Na história da Igreja a Vida Consagrada ocupou sempre um lugar de relevo na obra da evangelização. Também hoje ela se faz peregrina, caminha ao lado de todas as pessoas, partilha as suas necessidades, anima o seu coração com o amor recebido na contemplação do rosto de Cristo, numa diversidade de carismas que muitas vezes é incompreendida. A Vida Consagrada na Igreja é um fenómeno que diz respeito a toda a comunidade cristã. João Paulo II na exortação apostólica pós-sinodal Vita Consecrata referia que “a Vida Consagrada está no coração da Igreja, como elemento decisivo para a sua missão, porque exprime a íntima natureza da vocação cristãâ€. Nem sempre é fácil perceber o que representa na Igreja a Vida Consagrada: a profissão dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência revelam traços fundamentais da figura de Jesus e têm por fim torná-los visíveis a todos. Essa dificuldade ficou visível após o “Inquérito sobre os religiosos em Portugalâ€, efectuado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa por ocasião dos 50 anos das duas Federações nacionais de religiosos, CNIR/FNIRF, hoje uma Confederação única (CNIRP) O referido inquérito mostrava que 42% dos portugueses não tinham conhecimento da existência de religiosos na Igreja Católica. Para quem a conhece, contudo, a Vida Religiosa é um valor fundamental na Igreja e mesmo na sociedade portuguesa. Assim, quase 94% dos inquiridos entende que o facto de existirem religiosos é uma coisa boa ou muito boa para a Igreja Católica, e 87,4% pensa que também é bom ou muito bom para os portugueses. As dificuldades com que hoje se enfrentam as pessoas consagradas assumem múltiplas feições, sobretudo se levarmos em conta os diversos contextos culturais nos quais elas vivem. A diminuição dos membros em muitos Institutos e o seu envelhecimento, evidente nalgumas partes do mundo, fazem surgir a pergunta se a vida consagrada seria ainda um testemunho visível, capaz de atrair os jovens. Podemos perguntar-nos: qual será o lugar reservado às formas tradicionais de vida consagrada, que em Portugal têm cerca de 8000 membros? O impacto da Vida Consagrada e Portugal é maior do que o que se vê: basta pensar nas muitas instituições que estão confiadas aos Institutos de Vida Consagrada – 117 estabelecimentos de ensino com cerca de 40.000 alunos, acompanhados por 660 religiosos/as e 4660 leigos/as; nas IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), 218 estabelecimentos com cerca de 25.000 utentes, acompanhados por 792 religiosos/as e 3700 leigos/as; nos lares (médios, universitários, terceira idade), 57 estabelecimentos com cerca de 2000 utentes, acompanhados por 260 religiosos/as e 530 leigos/as; nos cuidados de saúde especialmente no acompanhamento da saúde mental os religiosos/as cobrem mais de 50% da população no Continente e 100% nas Ilhas Açores e Madeira; nas “comunidades inseridasâ€, sobretudo nas periferias das grandes cidades, aldeias e vilas, os religiosos/as formam cerca de 200 pequenas comunidades que se dedicam ao serviço de uma pastoral geral; nas casas de retiros para formação permanente, passaram mais de 100.000 pessoas. Missionários, contemplativos, dedicados a obra de carácter social ou de apostolado, os Consagrados deixam uma marca facilmente reconhecível na nossa Igreja. LFS/OC


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