Nacional

Viver em conformidade com o que se professa

Lígia Silveira
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Primeira conferência quaresmal do Bispo da Guarda

Professar a fé não consiste em enunciar apenas um conjunto de verdades, mas antes viver em conformidade com o que se professa. Os critérios para avaliar a autenticidade da fé são “frutos da justiça e da caridade que existem ou não existem no dia a diaâ€, aponta D. Manuel Felício no “primeiro degrau da caminhada para a Páscoaâ€. Esta avaliação, que o Bispo da Guarda apontou na primeira conferência quaresmal, deve pautar o caminho quaresmal. Professar a fé implica a superação de muitas tentações, que também “cristãos e comunidades cristãs terão de saber enfrentar e vencer no mundo actualâ€. A tentação do poder e do domínio sobre o mundo e sobre os homens, a tentação materialista e a tentação de “instrumentalizar Deus e a religião colocando-as ao serviço de interesses pessoaisâ€, são provas pelas quais “Jesus teve que passar, mas que não perderam a sua actualidade nos dias de hojeâ€, sublinha D. Manuel Felício. O Bispo da Guarda constata que na cultura actual não é fácil professar e viver a fé. “As raízes cristãs estão a ser abaladas com a introdução de novos hábitos, de novos critérios de comportamentos que não dignificam e respeitam a pessoa na sua autêntica verdadeâ€. As referências cristãs são “sujeitas a utilizações e interpretações desligadas da sua raizâ€. A profissão de fé nas circunstâncias actuais “implica necessariamente dar nova vida a um mundo descristianizado, afastado da prática cristãâ€, aponta. A Quaresma é um tempo de “exame de consciênciaâ€, para reflectir sobre as novas formas de “fazer compreender Cristo e a sua Mensagem ao espírito modernoâ€. Esta análise implica “assumir com coragem as nossas responsabilidades de cidadãos e de cristãosâ€, mostrando às pessoas que “a raiz do seu valor e da sua dignidade está no facto de serem imagem e semelhança de Deusâ€, sublinha D. Manuel Felício, pois as culturas serão tanto mais humanas e humanizantes “quanto mais conseguirem traduzir esta dimensão transcendente dos seres humanosâ€. Intervir socialmente e na opinião pública para denunciar e corrigir agressões “é também um professar a nossa féâ€. O Bispo da Guarda afirma que “não são as culturas que determinam a natureza do homem, mas é a natureza humana que é a medida da cultura†por isso nenhum ser humano deve ser “prisioneiro de modelos de comportamento humano e social impostos por culturas em contradição com aspirações mais profundasâ€. No contexto actual da sociedade portuguesa, D. Manuel Felício afirma que “devemos resistir à tentação de adaptar o nosso comportamento aos modelos sociais e à mentalidade dominante só para sermos modernos, actualizados, prejudicando a fidelidade ao valores da fé e aos valores humanos fundamentaisâ€. A formação permanente na fé, através da catequese, é apontado por D. Manuel Felício como a forma de “iluminar as realidades humanas actuais com uma linguagem actualâ€. Notícias relacionadas Professar a fé vencendo tentações


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