Uma estimativa das Nações Unidas (ONU) revela que mais de 250 mil crianças são recrutadas para a guerra no mundo e que, pelo menos em 13 países do mundo, o recrutamento e uso de crianças nos conflitos armados é válido.
A denúncia partiu do Secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, num relatório relativo ao periodo entre Outubro de 2006 e Agosto de 2007.
A participação de menores em conflitos armados e consequentemente a violação da lei internacional estaria a ocorrer principalmente em 13 países que, com excepção da Colômbia, estão concentrados em África e Ásia: Afeganistão, Burundi, Chade, Colômbia, Filipinas, Myanmar (antiga Birmânia), Nepal, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Somália, Sri Lanka, Sudão e Uganda.
O comunicado da ONU refere, porém, que não foram registados novos casos de recrutamento de menores na Costa do Marfim, onde está a decorrer um processo de identificação, libertação e reabilitação das crianças soldados. Serra Leoa e Libéria, países com tradição no recrutamento infantil, também não são citados na «lista da vergonha».
No último relatório sobre «Crianças e Conflitos Armados», apresentado a 21 de Dezembro de 2007, o representante especial do secretário-geral da ONU para a questão, Radhika Coomaraswamy, expressou a esperança de que o Conselho de Segurança possa tomar medidas decisivas para responder às conclusões do documento de Ban Ki-moon.
O Conselho de Segurança deve se reunir para discutir o relatório «Crianças e Conflitos Armados» no próximo dia 12 de Fevereiro. Na ocasião, espera-se que sejam incluídos na «lista da vergonha» também os nomes de países onde ocorrem violações sexuais e violações dos direitos da criança.
Ban Ki-moon pediu que a violação dos direitos das crianças seja submetido ao julgamento do Tribunal Penal Internacional, um tribunal que julga crimes de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.
O relatório dá conta que 60% dos casos de violação registados em Kisangani, a Norte da República Democrática do Congo, as vítimas têm entre 11 e 17 anos.
O Secretário geral da ONU aponta também o crescimento do número de ataques “sistemáticos e deliberados” contra escolas e instituições educativas, em algumas zonas de guerra, como o Afeganistão e o Iraque, um “fenómeno que pede a atenção da comunidade internacional”.