Vaticano

A contribuição dos cristãos para a reconciliação étnica e religiosa na Índia

Octávio Carmo
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Numerosos líderes cristãos de 16 confissões encontraram-se recentemente em Imphal, capital do Estado de Manipur, na região nordeste, para discutir a possível contribuição que a comunidade cristã pode oferecer para acabar com os conflitos e iniciar um processo de reconciliação. A região do nordeste da Índia é uma das mais instáveis do país, palco de conflitos sociais, étnicos e territoriais entre tribos e diversas comunidades, ou para a autonomia do governo central. Os cristãos destacaram que a sua união ecuménica é um primeiro passo em direcção à harmonia. "Depois de anos de incompreensões, finalmente encontramo-nos juntos para falar de um mesmo púlpito: é uma obra de Deus. Por graça de Deus, estamos aqui reunidos para pregar a reconciliação. É um bom início", disse à Agência Fides P. K. George, da Arquidiocese de Imphal. "A união entre as Igrejas cristãs é necessária para poder estender a reconciliação a toda a sociedade que nos circunda”, referiu. A principal preocupação dos cristãos é o distrito de Chandal, no Estado de Manipur, onde o conflito entre grupos étnicos envolveu também mulheres e crianças. A comunidade cristã sente-se fortemente interpelada para travar a escalada de violência. Na rota do tráfico de droga, Manipur é atormentado pela violência inter-étnica há mais de 30 anos. Já em 1947, ano da independência indiana, os "Naga", tribo das colinas ao norte de Imphal, deram início a uma luta contra o governo central, que cresceu nos anos 50. Os grupos rebeldes, que normalmente se escondem na floresta, combatem pela independência do Estado de Manipur para criar uma grande "Nagaland", Estado com uma única etnia.


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