Bispos católicos, Patriarcado Ecuménico na UE e Conselho Ecuménico das Igrejas reflectiram a interacção das religiões
A Europa Cristã e Islão na Europa foi tema do terceiro seminário do ciclo Greens-Denmark dedicado ao promovido pela Comissão dos Episcopados da União Europeia – COMECE, pelo Conselho Ecuménico das Igrejas - CEC e pela Fundação Konrad-Adenauer.
Um comunicado enviado à Agência ECCLESIA dá conta de que o diálogo é o instrumento para ultrapassar o medo do Islão. “Este medo precisa ser desafiado pelas Instituições europeias, pelas Igrejas e pelo media”, indicou o Metropolita Emanuel de França, representante do Patriarcado Ecuménico na UE, pedindo um “tratamento igualitário nos media” e o ensino “de todas as religiões nas escolas”.
Segundo o representante do Patriarcado Ecuménico na EU, deveria ser dada uma “ênfase maior aos aspectos comuns entre todas as religiões do que aos pontos que as separam”. O Metropolita sugeriu a “identificação de práticas comuns de forma a oferecer uma visão à Europa”.
O Metropolita Emanuel sugeriu que os desafios inter religiosos são parte da sociedade multi confessional da Europa e este desafio é constante em todas as esferas da sociedade.
Na Europa muitas pessoas, de forma irreflectida, “moldaram um medo ao Islão, que é também promovido por estereótipos e representações parciais nos media e pela falta de conhecimento geral da sociedade sobre o próprio Islão”.
Segundo uma outra participante, Sara Silvestri, Professora na Universidade de Cambridge e na City University em Londres, o Islão contribuiu “decisivamente para a cultura e ciência na Europa”, apesar de ter “menos influência nas posições políticas e organizações legais da sociedade, ao contrário do Cristianismo”.
Segundo a professora Silvestri, “as pessoas deveriam perder a ideia de que as identidades são fixas e estáveis e que os muçulmanos pertencem a uma categoria monolítica”, afirmou.
A professora adianta mesmo que certos conceitos são comuns entre o Islão e o Cristianismo, assim como para todas as pessoas as questões de boa vontade, a santidade de todas as vidas e o compromisso dos crentes na esfera pública, são também comuns.
“Os europeus, tanto crentes como não crentes, partilham valores e preocupações como a justiça social”.
Em representação da comunidade Islâmica da Sérvia, o Xeque Abdullah Nu’man referiu-se a falsas interpretações alarmistas do Islão, povoadas de tradições culturais e que levam a mal entendidos.
“Do ponto de vista teológico e demográfico, o medo de uma invasão islâmica e da imposição da sharia é infundada”. O Xeque denunciou uma fobia contra o Islão enquanto “pretexto racista usado para criar ódio ou discriminação contra os muçulmanos”.
O Islão professa o “diálogo e o amor entre as pessoas”, afirmou, acrescentado que os muçulmanos “amam a humanidade porque é proveniente de Deus”.
Na conclusão do debate, a membro dinamarquesa do Parlamento Europeu Margrete Auken, sugeriu a necessidade de se “ouvir e aprender uns com os outros de forma a ultrapassar desentendimentos”.
Neste contexto, o diálogo entre religiões, tais como previstas no Tratado de Lisboa são “uma obrigação e um privilégio”.
O seminário final deste ciclo terá lugar a 11 de Setembro e vai incidir sobre as relações externas da União Europeia com os países muçulmanos, em especial na reciprocidade em termos de liberdade religiosa para os muçulmanos na Europa e para os cristãos nos países Muçulmanos.