O Vigário da Custódia Franciscana da Terra Santa, Fr. Atemio Vitores, lançou o alarme durante uma visita a Roma: "É preciso salvar a cidade de Belém". O religioso traçou um quadro desolador sobre a situação na Terra Santa.
"Os cristãos emigram porque são pressionados por dois lados: para os judeus, são sempre palestinianos e, por isso, terroristas; já para os muçulmanos, são traidores, acusados de serem seguidores de Bush", explica.
Segundo Fr. Vitores, do ponto de vista histórico, a diminuição do número de cristãos da Terra Santa foi constante nas últimas décadas. No início do século passado, representavam 25% da população; em 1948, ano de fundação do Estado de Israel, os cristãos eram de 15 a 20%. Hoje, são apenas 2% da população.
Na cidade de Belém, o fenómeno também se repetiu. Em 1950, 75% dos habitantes de Belém eram cristãos; hoje, os cristãos não passam de 12% da população.
De acordo com o Franciscano, existem dois motivos que explicam a origem deste problema: a grande imigração judaica em Israel e o forte crescimento demográfico palestiniano muçulmano, já que os palestinianos cristãos acabam por emigrar. O responsável explicou ainda que a construção do Muro de Segurança israelita, na Cisjordânia, “é uma tragédia para os habitantes de Belém”.
Ontem, no final da audiência geral no Vaticano, Bento XVI recebeu o presidente do município de Belém, Victor Batarseh. Antes do encontro, o líder municipal afirmara que iria apresentar ao Papa as suas preocupações por causa do Muro de segurança e pelas dificuldades que encontram os turistas para chegar à cidade natal de Jesus.
Desde o início de 2005, mais de um milhão de pessoas já passaram pelos Lugares Santos. O Patriarca Latino de Jerusalém, D. Michel Sabbah, pediu por várias vezes, ao longo dos últimos tempos, que as conferências episcopais de todo o mundo estimulem os seus fiéis a peregrinar para a Terra Santa, ajudando desta forma a comunidade cristã na região, que depende economicamente da presença dos turistas e peregrinos.