Vaticano

Alfaiates correram para preparar mantos de cardeais

Octávio Carmo
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Os tradicionais alfaiates romanos tiveram uma autêntica “corrida louca” contra o tempo para garantir que os 30 novos "príncipes" da Igreja estivessem devidamente vestidos na última terça-feira, quando foram oficialmente nomeados cardeais. "Normalmente temos pelo menos dois meses de prazo, mas desta vez o Papa apanhou os cardeais e os alfaiates desprevenidos", disse Gabriele Masserotti Benvenuti, um dos sócios da alfaiataria Barbiconi, que há mais de 200 anos serve o Vaticano. João Paulo II provocou surpresa nos meios eclesiásticos ao anunciar os novos nomes no final de Setembro e marcar a o Consistório para 21 de Outubro, logo depois das celebrações dos 25 anos de seu Pontificado. Desde então, o telefone da Barbiconi não parou de tocar. "O problema é que não trabalhamos só para os cardeais e, com as celebrações do aniversário do pontificado os pedidos já eram elevados", disse Masserotti à Reuters. Os cardeais normalmente encomendam um manto púrpura e outro negro - ambos bordados à mão em lã fina, com botões e linhas de seda. Também costumam comprar o tradicional solidéu púrpura e uma série de acessórios e vestes externas. A encomenda pode custar de 2 mil a 4 mil Euros, dependendo do peso da lã e do número de acessórios. "Não queremos dizer ‘não’ a ninguém, mas este não é o tipo de serviço que se faça da noite para o dia", afirmou Masserotti. "Tivemos de dizer a alguns prelados que não poderíamos ajudá-los porque não havia dias suficientes", conclui.


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