O arcebispo emérito do Rio de Janeiro, D. Eugênio Sales, acusou o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de utilizar políticas de planeamento familiar para reduzir a natalidade entre os pobres.
Num artigo publicado na edição do jornal “O Globo”, D. Eugênio Sales salienta que para "suprimir as raízes da miséria existente anuncia-se o recurso a práticas que ferem princípios éticos, como a esterilização de mulheres das classes necessitadas".
"Evidentemente, todos estão de acordo sobre o facto de que a paternidade responsável é um direito da família, como é dever do Estado democrático não ter uma ingerência no lar ultrapassando os limites", refere o artigo.
O arcebispo ressalta que os poderes públicos podem e devem contribuir para a solução do problema demográfico através de uma "política familiar providente, de uma sábia educação das populações, que respeite a lei moral e a liberdade dos cidadãos".
O texto ressalta igualmente que o Papa Paulo VI alertou os governos dos países em desenvolvimento que as notórias dificuldades, nesse campo, não seriam resolvidas com o apelo a métodos e meios "que são indignos do homem".
"A verdadeira solução se encontra somente num progresso económico e social que respeite e fomente os genuínos valores humanos, individuais e sociais", salienta o artigo.
D. Eugênio Sales realça que os recentes dados oficiais indicam a redução das taxas de natalidade no Brasil, nos últimos anos. "Até ao ano de 2025, a curva da natalidade será descendente. Isto significa que, por esta época, o crescimento se aproximará da taxa zero. Os dados mais recentes revelam a aceleração dessas mudanças", refere o artigo.
O arcebispo afirma, entretanto, que a redução da natalidade não tem reduzido a pobreza no Brasil, onde um por cento da população possuiu 13 por cento da renda nacional.
A conclusão é fácil: se a pobreza aumentou, enquanto caía a natalidade, o que determina a indigência clamorosa, no Brasil, não é o crescimento demográfico. O factor é, sim, de ordem social", salienta.