Vaticano

Ásia e África são prioridade da Igreja

Octávio Carmo
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Quatro dos membros mais importantes da Cúria Romana passaram esta manhã pela sala de imprensa da Santa Sé, para apresentarem um documento sobre a evangelização e defenderem a necessidade de levar a mensagem e a presença da Igreja cada vez mais longe, em especial na Ásia e África. O presidente da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), Cardeal William Joseph Levada, explicou a publicação da “Nota doutrinal sobre alguns aspectos da evangelização”, por ele assinada, frisando que o anúncio de Jesus “pertence à própria natureza da Igreja”. Após uma breve apresentação da Nota (ver notícia relacionada), o Cardeal norte-americano negou que a Igreja Católica seja responsável por qualquer “forma negativa de proselitismo” quando está em causa a conversão de alguém. “Espero que este documento sirva como instrumento para a renovação dos esforços evangelizadores dos católicos e de todos os cristãos, e que seja um guia para a unidade e a fraternidade de toda a família humana”, concluiu. O secretário da CDF. Arcebispo Angelo Amato, defendeu que “nada é mais urgente e importante, para os cristãos, do que ser um eco credível” da presença e da esperança em Jesus. Sublinhando que a Igreja não é uma “utopia política”, este responsável indicou que ela é “instrumento de verdadeira humanização do homem e do mundo”. Ásia O Cardeal Ivan Dias, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, apresentou uma reflexão sobre as implicações desta Nota no continente asiático, de onde é natural, região profundamente marcada pelo pluralismo religioso e berço de grandes religiões mundiais. A evangelização neste contexto, assinalou, não é “uma novidade para a Igreja”, mas é hoje particularmente desafiante, dado que os fiéis dessas várias religiões “encontram-se e interagem mais do que em qualquer outro período da história humana”. O Cardeal indiano defendeu que é tarefa dos cristãos ver o que existe de positivo nessas várias tradições e “conduzi-las, sem complexos de superioridade, para a plenitude da vida religiosa em Cristo, que é caminho, verdade e vida”. Depois de apelar a um “profundo respeito” pelas outras religiões, D. Ivan Dias retomou as críticas expressas na Nota da CDF aos que julgam que “os não-cristãos podem salvar-se com os seus próprios meios”, tornando “irrelevante” o anúncio da “Boa Nova de Jesus Cristo”. O diálogo inter-religioso foi apresentado como um “modo indirecto de evangelização”, esfera privilegiada neste continente, permitindo que os cristãos apresentem a sua própria identidade sem a querer impor. Simbolicamente, o membro da Cúria Romana recorreu à figura dos Magos que foram adorar Jesus, o Deus que “adoravam sem o conhecer”. África A evangelização entre os seguidores das religiões tradicionais africanas dominou o discurso do Cardeal Francis Arinze, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. O Cardeal nigeriano falou das implicações desta Nota nos países subsaarianos, cujo contexto religioso é dominado por práticas tradicionais, “geralmente marcadas pela crença num único Deus, em espíritos bons e maus e nos antepassados”. Referindo-se a uma cultura “com marcado sentido do sagrado, que acredita na vida depois da morte”, D. Arinze indicou que os missionários cristãos encontraram neste contexto religioso “uma preparação providencial” para o Evangelho. Segundo este responsável, a proposta dos missionários “respeita a liberdade humana dos africanos e a sua capacidade de conhecer e amar o que é bom e verdadeiro”.


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