Controvérsia sobre as caricaturas do profeta Maomé e suas consequências
O final da IX Assembleia Geral do Conselho Mundial das Igrejas (CMI) ficou marcado pela publicação de um documento sobre a polémica das caricaturas do profeta Maomé. Os representantes das igrejas e confissões cristãs presentes “deploraram” tanto a publicação das caricaturas como a onda de violência que se lhe seguiu, pedindo aos cristãos de todo o mundo uma aposta no reforço do diálogo e da cooperação com os muçulmanos. O documento sobre as relações com pessoas de outra fé ressalta a importância do diálogo inter-religioso a nível local e global, pedindo às igrejas que se criem “plataformas para esse diálogo”.
Relativamente à polémica dos últimos tempos, o CMI declara que “com a publicação das caricaturas, a liberdade de expressão foi utilizada para causar dor, ao ridicularizar a religião, os valores e a dignidade das pessoas”.
As tensões manifestadas por causa desta controvérsia mostram, segundo o Conselho, problemas mais fundos, como o conflito israelo-árabe e a guerra no Iraque. “A verdadeira tensão no nosso mundo não é entre religiões e credos, mas entre ideologias agressivas, intolerantes e manipuladoras, religiosas e seculares”, pode ler-se.
A assembleia adoptou ainda uma declaração sobre o terrorismo, contra-terrorismo e direitos humanos, reafirmando o papel das religiões para a construção da paz.
“A violência contra pessoas desarmadas e inocentes por causa de objectivos políticos ou religiosos, seja por actores do Estado ou não estatais, nunca pode ser justificada legal, teológica ou eticamente”, refere a declaração.
O CMI pede aos membros da ONU que definam de forma clara o termo “terrorismo”, para que os actos, ameaças ou organizações terroristas possam ser considerados matéria de justiça criminal. O documento recomenda às igrejas que condenem de forma decidida o conceito de “guerra contra o terrorismo”.