Bento XVI apela a desarmamento global Octávio Carmo 12 de Abril de 2008, às 13:36 ... Papa sugere canalização das despesas militares para fundo mundial destinado a projectos de desenvolvimento Bento XVI deixou este Sábado um forte apelo à comunidade internacional, para que empreenda o caminho do desarmamento global, construindo as bases de uma “paz duradouraâ€. “Renovo o apelo para que os Estados reduzam as despesas militares para o armamento e tomem em séria consideração a ideia de criar um fundo mundial destinado a projectos de desenvolvimento pacÃfico dos povosâ€, apontou. O Papa pronunciava-se numa mensagem dirigida ao Conselho PontifÃcio Justiça e Paz, reunido no Vaticano para debater o tema “Desarmamento, desenvolvimento e paz. Perspectivas para um desarmamento integral". “A produção e o comercio de armas - salienta Bento XVI – estão em contÃnuo aumento e vão assumindo um papel decisivo na economia mundial. Há uma tendência para a sobreposição da economia civil à militarâ€. Para o Papa, este risco é grave “nos sectores biológico, quÃmico e nuclear, nos quais os programas civis não estão nunca seguros sem o abandono completo e geral dos programas militares e hostisâ€. Admitindo que cada Estado tem direito à defesa, Bento XVI indicou que a mesma “deve ser proporcionada aos perigos que o Estado correâ€. “Até ao momento em que estiver presente o perigo de uma ofensa, o armamento dos Estados será necessário por razões de legÃtima defesa, que é um direito inalienável dos Estados, estando também ligado ao dever dos próprios Estados de defenderem a segurança e a paz dos povos. Contudo não deve ser considerado igualmente lÃcito qualquer nÃvel de armamentoâ€, assinalou o Papa, defendendo o princÃpio de “suficiênciaâ€. Bento XVI salienta também a existência de autênticas “guerras do bem-estarâ€, desencadeadas pelo egoÃsmo de quem quer manter o próprio nÃvel de vida. “Podem existir - observa o Papa – guerras desencadeadas por graves violações dos direitos humanos, pela injustiça e pela miséria, mas não se deve esquecer o risco de autênticas guerras do bem-estar, isto é, causadas pela vontade de expandir ou conservar o domÃnio económico em prejuÃzo dos outrosâ€. “O simples bem-estar material, sem um desenvolvimento moral e espiritual pode cegar o homem ao ponto de o levar a matar o próprio irmãoâ€, alerta. Bento XVI elenca, em seguida, alguns pontos necessários para tornar eficaz uma “opção decidida da comunidade internacional a favor da pazâ€. “No plano económico é necessário empenhar-se para que a economia seja orientada para o serviço da pessoa humana, a solidariedade e não só para o lucro. No plano jurÃdico, os Estados são chamados a renovar o próprio empenho, em particular o respeito dos tratados internacionais já em vigor sobre o desarmamento e o controlo de todos os tipos de armas, bem como a ratificação e a consequente entrada em vigor dos instrumentos já adoptadosâ€, adianta. O Papa pede esforços contra a proliferação de armas ligeiras e de pequeno calibre, “que alimentam as guerras locais e a violência urbana, e matam demasiadas pessoas todos os dias no mundo inteiroâ€. A mensagem salienta ainda que fenómenos como o terrorismo à escala mundial tornam ténue a fronteira entre a paz e a guerra, prejudicando seriamente a esperança no futuro da humanidade. “No mundo – denuncia Bento XVI – continuam a existir áreas sem um nÃvel adequado de desenvolvimento humano e material, não são poucos os povos e pessoas privados de direitos e liberdades elementaresâ€. Para o Papa, chegou a hora de mudar o curso da história, de recuperar a confiança, de cultivar o diálogo, de alimentar a solidariedade perseguindo o caminho de “um humanismo integral e solidárioâ€. Bento XVI Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...