Vítimas das cheias nas Filipinas serão lembradas na Quinta-feira Santa
Bento XVI deu início, neste Domingo de Ramos, à sua primeira Semana Santa como Papa, afirmando que a verdadeira liberdade só é possível num mundo sem corrupção ou avidez.
"A liberdade interior é o pressuposto para superar a corrupção e a avidez que hoje devastam o Mundo. Tal liberdade só se pode encontrar se Deus for a nossa riqueza, só se pode encontrar na paciência das renúncias quotidianas, nas quais se desenvolve com verdadeira liberdade", disse o Papa na homilia da Missa que ontem celebrou na Praça de São Pedro.
O Papa centrou a sua reflexão sobre a figura de Jesus que entra em Jerusalém montado num jumentinho, cumprindo assim a profecia do Profeta Zacarias, com as três características por este anunciadas : pobreza, paz e universalidade. Segundo Bento XVI, estas três características “estão resumidas no sinal da Cruz", que se tornou centro das Jornadas Mundiais da Juventude.
A “pobreza – observou o Papa– entende-se no sentido dos anawim de Israel, daquelas almas crentes e humildes que encontramos à volta de Jesus, na perspectiva da primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha”. Ora, advertiu Bento XVI, “uma pessoa pode ser materialmente pobre, mas ter o coração cheio de avidez da riqueza e do poder que deriva da riqueza”.
“No sentido de Jesus – no sentido dos profetas – a pobreza pressupõe sobretudo a liberdade interior....pressuposto para superar a corrupção e a avidez que devastam o mundo. Tal liberdade só se pode encontrar se Deus se tornar a nossa riqueza; só se pode encontrar na paciência das renúncias quotidianas”, prosseguiu.
A profecia falava do Messias como um rei de paz, que fará desaparecer os carros de guerra e os cavalos de batalha, que despedaçará os arcos e anunciará a paz. “Na figura de Jesus isto concretiza-se mediante o sinal da Cruz. Esta é o arco quebrado, de um certo modo é o verdadeiro arco-íris de Deus, que une o céu e a terra e lança uma ponte sobre os abismos que separam os continentes”, explicou o Papa.
“A nova arma, que Jesus nos coloca nas mãos, é a cruz – sinal de reconciliação, sinal do amor mais forte do que a morte”, acrescentou.
Finalmente, a terceira afirmação do Profeta, o anúncio da universalidade: “O espaço do rei messiânico – recordou o Papa - já não é um determinado país que se separaria dos outros, tomando inevitavelmente posição contra outros países. O seu país é a terra, o mundo inteiro. Superando toda e qualquer delimitação, Ele cria unidade, na multiplicidade das culturas”.
Ainda na sua homilia, Bento XVI assinalou a Jornada Mundial da Juventude que foi celebrada pela Igreja este Domingo. O Papa destacou a presença da Cruz das JMJ, que iniciou o seu caminho de Colónia a Sidney, “um caminho através dos Continentes e das Culturas, um caminho através de um mundo dilacerado e atormentado pela violência”.
“É o caminho daquele que, pelo sinal da cruz, nos dá a paz e nos torna portadores da reconciliação e da sua paz", prosseguiu Bento XVI.
A entrega da Cruz das JMJ e do ícone de Maria que a acompanha marcou a recitação do Angelus. Dirigindo-se aos peregrinos de língua portuguesa, o Papa saudou “com grande afecto os jovens de língua portuguesa”.
“Convido a todos a aclamar Cristo, luz e vida dos homens, e a escutar com viva admiração as suas palavras de paz e de reconciliação: 'Tende confiança, eu venci o mundo'. Até Sydney, se Deus quiser!”, concluiu.
Programa da Semana Santa
Na Semana Santa, a Igreja "celebra os mistérios da salvação: a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, cumprida por Cristo, especialmente nos últimos dias da sua vida, através do mistério pascal. Ele, ao morrer, destruiu a morte e, ressuscitando, restitui-nos a vida”, como explica o departamento das celebrações litúrgicas do Papa.
A semana é marcada por vários actos: na terça-feira, 11 de Abril, tem lugar uma celebração penitencial, o rito para a reconciliação dos penitentes, na Basílica vaticana. Esta é uma iniciativa nova, acompanhada pela Confissão. João Paulo II costumava ir à Basílica, na Sexta-feira Santa, e confessar alguns fiéis.
Na Sexta-feira Santa deverá ser possível voltar a ver um Papa na Via-Sacra do Coliseu, celebração para a qual, aliás, o então Cardeal Ratzinger escreveu as meditações em 2005. No Sábado, Bento XVI presidirá à Vigília Pascal, tal como fizera no ano passado, enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
Dia a dia
11 de Abril – Terça-feira Santa
Celebração da Penitência
Basílica de São Pedro, 17h30 (hora local, menos uma em Lisboa)
O Cardeal James Francis Stafford, Penitenciário Mor, preside por encargo do Papa ao Rito pela Reconciliação dos mais penitentes, com a confissão e absolvição individual.
13 de Abril – Quinta-feira Santa
Missa Crismal
Basílica de São Pedro, 09h30
O Papa preside à concelebração da Missa Crismal com os Cardeais, os Bispos e os presbíteros presentes em Roma, como sinal de comunhão entre os Pastores da Igreja universal e os seus irmãos no sacerdócio ministerial
Tríduo Pascal
O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor é o “cume de todo o ano litúrgico”.
13 de Abril – Quinta-feira Santa
Missa na Ceia do Senhor
Basílica de São João de Latrão, 17h30
O Papa preside à concelebração eucarística e fará o lava-pés a 12 homens. Durante o rito, os presentes são convidados a cumprir um acto de caridade para apoiar o projecto de reconstrução de casas para as vítimas das enxurradas no território da Diocese de Maasin, nas Filipinas.
Dia 14 - Sexta-feira Santa
Basílica de São Pedro, 17h00
Celebração da Paixão do Senhor
Coliseu de Roma, 21h15
Via Crucis
Dia 15 - Sábado Santo
Basílica de São Pedro, 22h00
Vigília Pascal
Dia 16 - Domingo de Páscoa
Praça de São Pedro, 10h30
Missa do Dia com o rito do "Resurrexit"
Praça Central da Basílica, 12h00
Bênção "Urbi et Orbi".