«Dignidade do homem não se identifica com os seus genes»
Bento XVI condenou hoje a discriminação baseada em “factores físicos ou genéticos” ao encerrar a XX Conferência Internacional do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, dedicada ao tema “O Genoma Humano”.
Falando aos participantes deste encontro, o Papa frisou que “a dignidade do homem não se identifica com os genes do seu ADN e não é diminuída pela presença de diferenças físicas ou defeitos genéticos”.
O Papa lembrou que a Igreja pode oferecer “uma preciosa obra de iluminação das consciências” no que diz respeito às novas descobertas científicas e aos novos desenvolvimentos da ciência médica, para que os mesmos sirvam “o bem integral da pessoa, no respeito constante pela sua dignidade”.
“A análise serena dos dados científicos leva a reconhecer a presença dessa mesma dignidade em qualquer fase da vida humana, a começar desde o primeiro momento da fecundação”, acrescentou, apelando a “todos os homens de boa vontade”.
Bento XVI deixou um alerta contra os riscos de “uma ciência e uma tecnologia que se pretendam completamente autónomas nos confrontos com as normas morais inscritas na natureza do ser humano”.
Secularização
O discurso do Papa manifestou preocupação pelo processo de secularização que se desenvolve num mundo marcado por “complexas vivências culturais e sociais”. Para Bento XVI, mais do que reivindicar uma justa autonomia da ciência e das organizações sociais, esse processo “também obliterou a ligação da ciência e das organizações sociais com o seu Criador, descurando a salvaguarda da dignidade transcendente do homem e o respeito da sua própria vida”.
“Hoje, contudo, a secularização – na forma do secularismo radical – não satisfaz os espíritos mais atentos e conscientes. Isso quer dizer que se abrem espaços possíveis e forças novas para um diálogo profícuo com a sociedade, especialmente sobre os temas importantes como os que se referem à vida”, apontou.
Segundo o Papa, mesmo aqueles que já não se reconhecem como membros da Igreja “permanecem atentos aos valores humanos e aos contributos positivos que o Evangelho pode trazer ao bem pessoal e social”.
Nova Pastoral da Saúde
Quanto à acção da Igreja no âmbito científico, sobretudo no mundo da biomedicina, Bento XVI espera um novo dinamismo na pastoral da saúde, com “uma renovação e um aprofundamento da própria proposta pastoral, que tenha em conta o crescente conjunto de conhecimentos difundidos pelos Media na sociedade e o maior nível de instrução das pessoas a que se dirige”.
“Se faltar uma instrução adequada, também uma formação adequada das consciências, facilmente podem prevalecer na opinião pública falsos valores ou informações imprecisas”, acrescentou.
Nesse sentido, a Igreja é desafiada a “adequar a formação dos pastores e dos educadores para torná-los capazes de assumir as suas próprias responsabilidades, em coerência com a sua própria fé”.
No campo particular da genética, o Papa lembra que “as famílias de hoje podem ter falta de informação adequada e ter dificuldade em manter a autonomia moral necessária para permanecer fiéis às próprias escolhas de vida”.
“Perante o aumento das exigências da pastoral, a Igreja exorta os responsáveis a estudar a metodologia adequada para levar ajuda às pessoas, às famílias e à sociedade, conjugando fidelidade e diálogo, aprofundamento teológico e capacidade de mediação”, concluiu o Papa.