Bento XVI condena terrorismo e fanatismo religioso Octávio Carmo 13 de Dezembro de 2005, às 15:00 ... Mensagem para o Dia Mundial da Paz sublinha necessidade de «verdade» Bento XVI condena de forma vigorosa o terrorismo e o fanatismo religioso na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, hoje divulgada pela Santa Sé, que se assinala a 1 de Janeiro de 2006. O texto leva como tÃtulo “Na Verdade, a Paz†e apresenta 16 pontos. Na primeira vez em que assina esta mensagem, o Papa reitera a “firme vontade da Santa Sé†de continuar a servir a causa da paz e reflecte em torno de dois conceitos fundamentais, a verdade e a mentira, lembrando o que aconteceu no século XX, quando se “mistificou†a verdade em função de programas ideológicos e militares, com resultados trágicos. “Basta pensar naquilo que aconteceu no século passado, quando aberrantes sistemas ideológicos e polÃticos mistificaram de forma programada a verdade, levando à exploração e à supressão de um número impressionante de homens e mulheres, exterminando mesmo famÃlias e comunidades inteirasâ€, escreve. Sobre os actos terroristas, “inspirados por um niilismo trágico e desconcertante†e pelo “fanatismo religioso, hoje frequentemente denominado fundamentalismoâ€, o Papa condena “a pretensão de impor com a violência, em vez de propor à livre aceitação dos outros, a própria convicção acerca da verdadeâ€. Entre as preocupações apresentadas na Mensagem estão ainda a necessidade de um desarmamento nuclear, condenando os Governos que escondem armas nucleares, com a justificação de garantir a segurança dos seus paÃses. “Numa guerra nuclear não haveria vencedores, apenas vÃtimasâ€, alerta. “A verdade da paz requer que todos — tanto os governos que de forma explÃcita ou tácita possuem armas nucleares, como os que pretendem consegui-las — invertam conjuntamente a marcha mediante opções claras e decididas, orientando-se para um progressivo e concordado desarmamento nuclearâ€, refere a Mensagem. O Papa lamenta ainda o “aumento preocupante dos gastos militares e do comércio sempre próspero das armasâ€, bem como a indiferença que envolve os processos de desarmamento, com grande prejuÃzo para os paÃses mais pobres. Lembrando que a paz não pode ser apenas a ausência de conflitos armados, a mensagem sublinha a importância de se promoverem “a verdade, a justiça, a liberdade e o amor†– direitos fundamentais das pessoas e dos povos. “A paz apresenta-se então de um modo novo: não como simples ausência de guerra, mas como convivência dos diversos cidadãos numa sociedade governada pela justiça, na qual se realiza também, na medida do possÃvel, o bem de cada um delesâ€, aponta. Bento XVI defende o papel central da ONU e das organizações internacionais para a prevenção e solução de conflitos, pedindo que em caso de guerra seja aplicado o direito humanitário internacional. A mensagem aponta alguns sinais positivos, como a queda do número de conflitos armados, desejando que se projecte um futuro de prosperidade para as populações martirizadas “da Palestina, a Terra de Jesus, e de algumas regiões da Ãfrica e da Ãsiaâ€. As questões da paz têm estado presentes desde o inÃcio do pontificado do Papa alemão, algo visÃvel já na escolha do nome Bento, como o mesmo faz questão de sublinhar: “O nome que escolhi no dia da eleição para a Cátedra de Pedro, pretende indicar o meu convicto empenho a favor da paz. De facto, com ele quis fazer alusão seja ao Santo Patrono da Europa, inspirador de uma civilização pacificadora no Continente inteiro, seja ao Papa Bento XV, que condenou a I Guerra Mundial como um « inútil massacre » empenhando-se para que fossem reconhecidas por todos as razões superiores da pazâ€. Aos católicos em particular a Mensagem deixa um desafio, o de “intensificar, em todas as partes do mundo, o anúncio e o testemunho do « Evangelho da paz », proclamando que o reconhecimento da verdade plena de Deus é condição prévia e indispensável para a consolidação da verdade da pazâ€. “Isto deve impelir os crentes em Cristo a fazerem-se testemunhas convictas de um Deus que é inseparavelmente verdade e amor, colocando-se ao serviço da paz numa ampla colaboração ecuménica e com as outras religiões e ainda com todos os homens de boa vontadeâ€, acrescenta o texto. Mensagem do Papa • Na Verdade, a Paz Bento XVI Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...