Vaticano

Bento XVI deseja aproximação às Igrejas Ortodoxas

Octávio Carmo
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Diálogo teológico retomado no Vaticano

O reinício do diálogo teológico entre católicos e ortodoxos é para Bento XVI uma oportunidade para superar “sérias dificuldades internas e externas” e caminhar rumo “à plena unidade”. O Papa manifestou “grande alegria” pelo regresso ao trabalho do Comité misto de coordenação do Diálogo Católico-Ortodoxo, hoje recebido no Vaticano. O diálogo teológico oficial, que tem lugar através desta Comissão, da qual fazem parte representantes da Igreja Católica e de diferentes Igrejas Ortodoxas, estava bloqueado desde a reunião celebrada no ano 2000, em Baltimore (EUA), por causa das divisões surgidas sobre o tema desse encontro, “Implicações teológicas e canónicas do uniatismo” - termo com o qual os Ortodoxos falam dos cristãos de países de tradição Ortodoxa que estão em união com o Papa. Estas divergências são particularmente graves no caso das relações entre o Vaticano e Moscovo, tendo impedido uma visita de João Paulo II à Rússia. Bento XVI agradeceu o esforço do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, que promoveu o acordo inter-ortodoxo que possibilitou o regresso ao diálogo. Este passo, disse o Papa, “reveste-se de uma importância particular e constitui uma grande responsabilidade”. “Nesta nova fase do diálogo, dois aspectos devem ser analisados em conjunto: por um lado, eliminar as divergências que subsistem; por outro, ter como primeiro desejo tudo fazer para restabelecer a plena comunhão, bem essencial para a comunidade dos discípulos de Cristo”, apontou. Para o Papa, “a plena comunhão visa uma comunhão na verdade e na caridade”, pelo que os cristãos não se podem contentar em ficar em “estádios intermediários”. “Esta tarefa deve comprometer os pastores, os teólogos e todas as nossas comunidades, cada qual segundo o papel que lhe é próprio”, vincou.


Bento XVI