Bento XVI espera que a Jornada Mundial da Juventude tenha uma forte dimensão vocacional, que leve mais jovens a optar pela vida sacerdotal e consagrada.
“Apenas quando tem uma experiência pessoal de Cristo pode o jovem compreender, em verdade, a Sua vontade e, por isso, a própria vocação”, disse o Papa num encontro com seminaristas de todo o mundo, em Colónia.
Explicando que incluiu este encontro no programa da JMJ para “ressalta de maneira mais explícita a dimensão vocacional que têm sempre as Jornadas Mundiais”, Bento XVI sublinhou que os seminaristas estão “num tempo forte de busca e encontro com Cristo, tendo em vista uma missão importante na Igreja”.
Os números confirmam a preocupação do Papa. O “Instrumentum laboris” do Sínodo dos Bispos de Outubro apresenta os números da Igreja Católica no mundo, mostrando que há mais católicos, mas menos padres.
No primeiro capítulo do documento, o balanço estatístico apresentado revela que o número de católicos no mundo aumentou em 15 milhões entre 2002 e 2003, chegando a um total de 1,086 mil milhões. É na África que se regista o maior crescimento, com um aumento de 4,5%, seguindo-se a Ásia (2,2%), a Oceania (1,3%) e a América (1,2%). A Europa não conheceu nenhuma flutuação de relevo, nesta matéria.
Apesar de o número de Bispos ter crescido em 27,68% entre 1978 e 2003 (passando de 3. 714 para 4.742), os números distribuídos no “Instrumentum laboris” assinalam uma quebra de 3,69%, no número de padres nesse mesmo período (de 421.000 para 405.000). Esse dado, quando cruzado com o aumento dos fiéis, mostra que o número de católicos por padre passou de 1.797 para 2.677, quebra de mais de 40%. O número de padres religiosos diminuiu bastante (13,3%) nesses 25 anos, acompanhando a quebra significativa de religiosos e religiosas no mundo (27,94% e 21,65% respectivamente).
Aos jovens participantes na JMJ é deixado, por Bento XVI, o desafio de “deixar tudo e pôr-se a caminho”, à imagem dos Reis Magos venerados em Colónia, “como se essa viagem estivesse desde sempre inscrita no seu destino”.
Não foram só os números, contudo, a preocupar o Papa. No seu discurso, Bento XVI alertou para a necessidade de se apostar na formação dos futuros padres, “no âmbito humano, espiritual e cultural”.