Bento XVI vai falar aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro no próximo Domingo, 2 de Abril, pelas 21h37 (menos uma em Lisboa), precisamente a hora em que, há um ano, morreu João Paulo II. O momento, organizado pela Diocese de Roma, será concluído com uma oração e a bênção apostólica.
A celebração deste primeiro aniversário inclui tempos de oração, cânticos marianos e leituras de textos de Karol Wojtyla. Pelas 21h00, Bento XVI virá rezar o Rosário com os peregrinos reunidos no Vaticano e depois, à hora anunciada, falará com os fiéis.
Na segunda-feira, às 17h30 (hora local), o Papa presidirá a uma Missa de sufrágio por João Paulo II, no exterior da Basílica de São Pedro, prevendo-se uma grande afluência de pessoas de todo o mundo, em especial da Polónia.
Os dias finais do Papa polaco foram momentos seguidos com particular atenção, através dos media internacionais. A 27 de Março de 2005, João Paulo II tentou falar durante a bênção “Urbi et Orbi” do dia de Páscoa, sem conseguir articular nenhuma palavra.
Três dias depois, a 30 de Março, aparece novamente à janela para abençoar a multidão. O Vaticano anuncia que o Papa é alimentado através de uma sonda naso-gástrica.
A 31 de Março, João Paulo II é atingido por uma febre muito alta, causada por infecção urniária, seguida de choque séptico e falência cardio-respiratória. A multidão reunida na Praça de São Pedro reza debaixo da janela do Papa.
As notícias do dia 1 de Abril confirmaram o agravamento da situação, mas João Paulo II decide não se deslocar ao Hospital e receber tratamento no seu quarto.
João Paulo II morreu no dia 2 de Abril, aos 84 anos, na sequência do progressivo agravamento do seu estado de saúde, ao longo destes vários dias. “O Santo Padre faleceu às 21h37 (hora local, menos uma em Lisboa) no seu apartamento privado”, referia o comunicado difundido pelo porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls.
O texto desse próprio dia explicava que o Papa morreu a rezar e rodeado pelos seus mais próximos colaboradores, sobretudo o denominado “clã polaco”. No momento do falecimento de João Paulo II, estavam presentes os dois Secretários pessoais do Papa, D. Stanislaw Dziwisz e D. Mieczyslaw Mokrzycki; o Cardeal Marian Jaworski; D. Stanislaw Rylko; o Pe. Tadeusz Stycze; as três irmãs polacas da Congregação das Escravas do Coração de Jesus, que prestaram serviço no apartamento do Papa, guiadas pela sua superiora, a Ir. Tobiana Sobódka; o médico pessoal do Papa, Renato Buzzonetti, com os dois médicos e os enfermeiros que estavam de turno. Depois chegaram o Cardeal Secretário de Estado, D. Angelo Sodano e o Camerlengo da Santa Igreja Romana, D. Eduardo Martínez Somalo, além do substituto da Secretaria de Estado, D. Leonardo Sandri, e o vice-substitituto, D. Paolo Sardi. Finalmente chegaram ao quarto o então Cardeal Joseph Ratzinger, Decano do Colégio Cardinalício, e o Cardeal Jozef Tomko.
Pelas 20h00 tinha começado a celebração da Missa da festa litúrgica da Divina Misericórdia, presidida pelo seu secretário pessoal e amigo de longas décadas, D. Stanislaw Dziwisz, com a participação do Cardeal Marian Jaworski, D. Stanislaw Rylko e D. Mieczyslaw Mokrzycki. No decorrer da Eucaristia, foi administrado a João Paulo II o Santo Viático e, mais uma vez, o Sacramento da Unção dos Doentes.
O comunicado destaca que “as últimas horas do Santo Padre foram caracterizadas por uma oração ininterrupta de todos os que o assistiram na pia passagem, bem como pela participação coral dos milhares de fiéis recolhidos, há muitas horas, na Praça de São Pedro”.
O Papa João Paulo II morreu devido a “septicemia e falência cardiocirculatória”, segundo a certidão de óbito:
“Certifico que sua Santidade João Paulo II (Karol Wojtyla) nascido em Wadowice (Cracóvia, Polónia) a 18 de Maio de 1920, residente na Cidade de Vaticano, Cidadão Vaticano, e falecido às 21h37 do dia 2 de abril de 2005 em Seu Apartamento no Palácio Apostólico Vaticano (Cidade do Vaticano) por causa de:
- Choque séptico
- Falência cardio-circulatória irreversível
Afectado por:
- Doença de Parkinson
- Progressivos episódios de insuficiência respiratória aguda e consequente traqueotomia
- Hipertrofia prostática benigna complicada por uropsia.
- Cardiopatia hipertensiva e hisquémica.
A comprovação da morte foi efectuada mediante o registro eletrocardiógrafo por mais de 20 minutos.
Declaro que as causas da morte, segundo minha ciência e consciência, são aquelas indicadas.
Cidade do Vaticano, 2 de Abril de 2005,
O Director da Direcção de Saúde e Higiene do Estado da Cidade do Vaticano, Dr. Renato Buzzonetti”.