Bento XVI defendeu esta manhã que a Igreja Católica se deve lançar numa luta contra o processo de secularização que afecta a Europa, “anunciando a verdade do Evangelho, mesmo quando é incómodo”.
Num dos seus discursos mais duros desde o início do pontificado, o Papa disse mesmo que os responsáveis pelas dioceses não podem condicionar a sua actuação pelo medo de reacções de protesto ou de abandono da Igreja.
Falando aos Bispos da Conferencia Episcopal Austríaca, recebidos no Vaticano por ocasião da visita “ad Limina”, Joseph Ratzinger pediu “um testemunho claro, público e corajoso” que seja capaz de relançar o espírito missionário na Igreja. Recorde-se que a Diocese de Viena está envolvida no Congresso Internacional da Nova Evangelização, cuja sessão lisboeta se inicia hoje.
A secularização da Europa é uma questão que já há muitos anos inquieta o actual Papa, que a considera como um dos sintomas da crise de identidade do Velho Continente. Para Bento XVI, empenhado numa cruzada contra a “ditadura do relativismo”, é preocupante que, em muitos católicos, “desapareça a identificação com o Magistério da Igreja”, o que leva à “diluição da consciência da fé” e à diminuição do respeito “pelos Mandamentos de Deus”.
Nesse sentido, o Papa quer que os Bispos “exponham a Palavra de Deus com toda a clareza, mesmo os pontos que, muitas vezes, são escutados com menos vontade ou que provocam reacções de protesto ou mesmo de deserção”.
Bento XVI considera que a verdade da fé, sobretudo no campo moral, “não está presente de forma suficiente nas catequeses e nas pregações das dioceses”, apontando o dedo para a sua ausência na pastoral juvenil. “Talvez os responsáveis temam que os fiéis se possam ir embora quando se fala claro. Não tenhamos ilusões: uma catequese católica proposta de forma mutilada é uma contradição em si mesma”, disse.