Bento XVI levou esperança às vítimas do terramoto
Papa elogiou a coragem e a fé das populações da região de Abruzzo perante o sofrimento
Após um percurso feito num automóvel da Protecção Civil, Bento XVI parou junto da danificada Basílica de de Collemaggio, um «ex libris» de L’Aquila.
O Papa realizou um gesto altamente simbólico ao depositar junto da porta santa da igreja o pálio – insígnia pessoal e de autoridade - que lhe fora imposto no dia do início de pontificado, em cima do relicário com os restos mortais do Papa Celestino V, (1215 - 1296), pontífice que governou a Igreja Católica apenas durante uns meses, em 1294.
Bento XVI permaneceu em oração, durante uns momentos, lembrando a figura deste Papa do séc. XIII e a história religiosa da comunidade de L’Aquila. O Papa ainda deu alguns passos em direcção ao interior da Basílica, visivelmente destruída.
A entrada na Basílica foi vedada, por motivos de segurança. Bento XVI manifestou esperança de que o espaço seja reconstruído como era e onde estava, à imagem do que aconteceu com a histórica abadia beneditina de Montecassino, que o Papa visitará no dia 24 de Maio.
Seguiu-se uma breve passagem pela Casa do Estudante, onde morreram 25 pessoas, e um encontro com um grupo de estudantes. O Papa ouviu jovens sobreviventes e os responsáveis locais, que explicavam os danos sofridos pelos edifícios.
Bento XVI saudou longamente autarcas e párocos das localidades mais atingidas pelo sismo. Posteriormente, já num jipe da Guarda Fiscal, saudou a população reunida no local.
D. Giuseppe Molinari, Arcebispo de L’Aquila, saudou Bento XVI e pediu o “milagre” de uma “pronta e corajosa reconstrução”, após ter agradecido os vários gestos de solidariedade e proximidade do Papa.
Bento XVI agradeceu o acolhimento, que o comoveu “profundamente” e saudou as autoridades religiosas e civis presentes e todos os empenhados na reconstrução da cidade, deixando uma “palavra de agradecimento por tudo o que fizestes”.
O Papa passou em revista os vários momentos da sua visita, confessando que “ao atravessar a cidade, apercebi-me de quão graves foram as consequências do terramoto”. Aos presentes, desafiou a “não ceder ao desencorajamento”, sublinhando a “firme intenção” manifestada pelas autoridades de “reconstruir a cidade”.
No mesmo local que acolheu o funeral das vítimas, Bento XVI disse que a sua visita quer ser um sinal da “solicitude fraterna de toda a Igreja”.
“Desejo sublinhar o valor e a importância da solidariedade”, disse o Papa, que a classificou como “um sentimento altamente cívico e cristão, que mede a maturidade de uma sociedade”.
Para Bento XVI, neste momento é fundamental tentar perceber “o que é que o Senhor nos quer dizer através deste triste evento”, que marcou a celebração da Páscoa deste ano.
“É preciso fazer um sério exame de consciência, também como comunidade civil, para que o nível de responsabilidade em qualquer momento nunca seja descurado. Só assim, L’Aquila (a águia, em italiano), ainda que ferida, poderá voltar a voar”, apontou.
Este momento concluiu-se com uma homenagem à imagem de Nossa Senhora da Cruz, diante do qual o Papa depôs uma rosa de ouro em sinal da “minha oração por vós” e por todas as comunidades atingidas.
Bento XVI voltou a saudar algumas das pessoas presentes e chegou mesmo a colocar um capacete de bombeiro, por breves instantes.
O regresso ao Vaticano foi feito igualmente por automóvel, devido ao mau tempo. Duas pequenas réplicas do sismo foram ainda sentidas esta manhã.
Bento XVI









