Bento XVI pede respeito pela liberdade religiosa na China LÃgia Silveira 30 de Junho de 2007, às 11:33 ... Carta do Papa sublinha que o «Estado deve garantir aos seus cidadãos católicos o pleno exercÃcio da sua fé» Bento XVI pede a Pequim “o respeito por uma autêntica liberdade religiosa†e rejeita a ideia de uma Igreja submetida à s autoridades chinesas e independente do Vaticano. O apelo é lançado na carta escrita a 27 de Maio, Domingo de Pentecostes, publicada este sábado pela Santa Sé e dirigida ao clero e aos católicos da China. O Papa declara-se “aberto a negociações†com o governo chinês, mas sublinha que será necessário “tempo e boa vontade das duas partes†para chegar a “uma normalização das relações com a República Popular da Chinaâ€. A Santa Sé e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951. Na Carta, muito esperada, Bento XVI assegura que a Igreja “convida os fiéis a serem bons cidadãos, colaboradores responsáveis e activos a favor do bem comum do seu paÃsâ€. Mas “é também claro ser obrigação do Estado garantir aos seus cidadãos católicos o pleno exercÃcio da sua fé, no respeito de uma autêntica liberdade religiosaâ€. Pelo texto, o Papa expressa o seu apreço pelo sofrimento que os católicos chineses passam, debaixo do comunismo. Ele afirma que a sua devoção à fé e a sua lealdade ao Papa “será recompensada, mesmo que tudo possa parecer sem sentidoâ€. Apesar de a Igreja na China gozar de uma maior liberdade religiosa hoje do que no passado, o Papa afirma que “não pode ser negado que grandes limitações continuam a persistir e que, em certa medida, sufocam a actividade pastoralâ€. O Papa critica a interferência do governo chinês em várias áreas da actividade da Igreja e afirma que a sua insistência em registar comunidades e as declarar “oficiais†tem dividido a Igreja e tem levantado suspeitas, acusações mútuas e recriminações. No entanto, Bento XVI abre a porta aos registos governamentais acerca dos bispos e das comunidades católicas, dizendo que é aceitável desde que não comprometa os princÃpios comuns da fé e da Igreja. Por outro lado, o Papa afirma que tais registos têm levado a que alguns lÃderes religiosos adoptem e reajam contrariamente à s suas consciências de católicos. Porque a decisão correcta é difÃcil de determinar e depende de circunstâncias locais, a escolha deveria ser feita pelo respectivo bispo. E Bento XVI destaca três situações: alguns bispos, ciosos de manterem a sua lealdade ao Papa, escolhem ser ordenados clandestinamente, sem a autorização governamental. Bento XVI afirma que uma vez que esta “condição clandestina†não é normal na vida eclesial, pelo que o Vaticano espera que estes bispos sejam reconhecidos pelo Governo. Outros bispos têm sido ordenados sem a aprovação papal, mas lutaram, mais tarde, para obter essa comunhão com o Papa, que a concedeu. Infelizmente, manifesta o Papa, na maioria dos casos, os padres e fiéis da diocese não foram informados da reconciliação do bispo com o Vaticano, gerando graves problemas de consciência. “Por esta razão, é indispensável, para o bem espiritual das comunidades diocesanas, que a legitimação, uma vez ocorrida, seja do domÃnio público na primeira oportunidade, e que os bispos legitimados dêem sinais vivos da sua total comunhão com o sucessor de Pedroâ€, afirmou Bento XVI. Há ainda um pequeno número de bispos que foram ordenados sem a aprovação papal e não pediram uma reconciliação. O Papa encoraja-os para reentrarem na comunhão com a Igreja para que exerçam o seu ministério de forma válida. Bento XVI pede também a Pequim a liberdade de nomear os bispos e sublinha a ideia de que “uma Igreja independente†do Vaticano “é incompatÃvel com a doutrina católicaâ€. O Papa lamenta a divisão entre uma Igreja clandestina fiel ao Vaticano e uma Igreja oficial, “próximas na fraternidade†e apela à “unidade†e à “reconciliação†sob a sua autoridade. Com uma ideia de unidade, Bento XVI sublinha que todos os bispos, mesmo aqueles que não são reconhecidos pelo Vaticano, “exerçam de forma válida o seu ministérioâ€. Esta carta do Papa “aos bispos, padres, pessoas consagradas e aos fiéis leigos da Igreja Católica da República Popular da Chinaâ€, foi também enviada à s autoridades chinesas, segundo informação do Vaticano. O Papa sublinha ainda que a Igreja não se identifica com nenhum sistema polÃtico. Nem é sua missão “alterar a estrutura administrativa do Estadoâ€, afirma. Não procura privilégios especiais na China, nem entre os seus lÃderes, mas “procura o diálogoâ€. Estima-se que existam entre 8 a 12 milhões de católicos na China. A carta está disponÃvel em http://www.vatican.va/holy_father/special_features/chinese/index.htm apenas em inglês, francês e italino, assim como na lÃngua chinesa tradicional e moderna. Bento XVI Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...