Bento XVI continua os seus esforços de aproximação à Fraternidade São Pio X, fundada pelo Arcebispo Marcel Lefebvre, e poderá levantar a excomunhão de João Paulo II, datada de 1988, contra os Bispos da Fraternidade.
A informação foi avançada pelo jornal italiano de direita “Il Giornale”, que não cita as suas fontes. Segundo o periódico, Bento XVI teria mesmo convocado para o próximo dia 13 de Fevereiro uma reunião com os presidentes dos vários Dicastérios da Cúria Romana para analisar as hipóteses de levantar a excomunhão.
O Bispo Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade, foi recebido por Bento XVI no dia 29 de Agosto de 2005, num encontro marcado pelo “desejo de chegar à perfeita comunhão”, segundo comunicado oficial da Santa Sé.
Fellay e outros três Bispos foram excomungados a 2 de Julho de 1988, por terem sido ordenados “ilegitimamente” no seio da Fraternidade, por parte do Arcebispo Lefebvre. A carta apostólica “Ecclesia Dei”, de João Paulo II, constatou que esta ordenação de Bispos (a 30 de Junho de 1988) constituiu “um acto cismático”.
Os contactos têm sido conduzidos pelo Cardeal Darío Castrillón Hoyos, presidente da Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”, criada na sequência dos factos acima relatados. Esta Comissão tem como objectivo “facilitar a plena comunhão eclesial” dos fiéis ligados à Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebvre, “conservando as suas tradições espirituais e litúrgicas”, em especial o uso do Missal Romano segundo a edição típica de 1962 - a Missa Tridentina.
Já enquanto Cardeal, Joseph Ratzinger tinha conseguido assinar um protocolo, a 5 de Maio de 1988, com o Arcebispo Lefebvre.
Agora, segundo “Il Giornale”, o Cardeal Julian Herranz, presidente do Conselho Pontifício para os textos legislativos, preparou um projecto de novo acordo, que instituiria para a Fraternidade uma “administração apostólica”, dependente directamente do Papa.