Bento XVI propôs ao novo embaixador de Caracas (Venezuela) junto do Vaticano, que sejam superadas as tensões entre o governo de Hugo Chavez e a Igreja católica, para promover a mútua colaboração ao serviço do povo venezuelano.
“Espero vivamente que se dissipem as dificuldades actuais nas relações Igreja-Estado e se volte a uma fecunda colaboração em continuidade com a nobre tradição venezuelana», assegurou o Bento XVI ao receber as cartas credenciais apresentadas por Ivan Guillermo Rincón Urdaneta, até agora presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
As relações entre os bispos da Venezuela e o presidente Chávez tornaram-se tensas desde que pouco depois da chegada deste à presidência, a 2 de fevereiro de 1999, ele tomou medidas que dificultaram os programas caritativos e educativos que a Igreja católica desenvolvia no país. Desde então, em declarações públicas, o presidente venezuelano lançou acusações contra os bispos e o núncio apostólico, que manifestaram a sua oposição a aspectos concretos de seu governo.
No seu discurso ao novo embaixador, Bento XVI tentou serenar os ânimos, reconhecendo, por exemplo, “o relevo que o governo deu ao luto pelo falecimento de meu venerado antecessor, o Papa João Paulo II”.
Ao mesmo tempo, pediu que o governo respeite a liberdade que é própria da Igreja para desenvolver sua missão na Venezuela. “Os governos dos Estados nada devem temer pela acção da Igreja, que no exercício da sua liberdade só pretende levar a cabo a sua própria missão religiosa e contribuir no progresso espiritual de cada país” - afirmou.
Dirigindo-se pessoalmente ao embaixador Rincón Urdaneta, o pontífice desejou que “durante o exercício de sua importante missão, as já tradicionais e históricas relações entre a Venezuela e a Santa Sé vejam-se fortalecidas com um espírito de colaboração leal e construtiva”.