Viagem inaugural do pontificado junta milhares de fiéis em Bari
Bento XVI reafirmou uma das ideias-chave do seu pontificado: o compromisso em favor da plena unidade dos Cristãos. Na primeira viagem do Papa fora do Vaticano, Bento XVI falou da Eucaristia como “sacramento de unidade” perante milhares de fiéis reunidos na cidade italiana de Bari, para o encerramento do Congresso Eucarístico Nacional italiano.
“Infelizmente os cristãos estão divididos. É por isso que aqui em Bari - cidade que guarda as relíquias de S. Nicolau, terra de encontro e diálogo com os irmãos cristãos do Oriente - gostaria de reafirmar a minha vontade de assumir como empenho fundamental: o de trabalhar com todas as energias, a favor da reconstituição da unidade plena e visível de todos os seguidores de Cristo", afirmou.
“Para reunir os cristãos, estou consciente de que as manifestações de bons sentimentos não chegam. São necessários gestos concretos que penetrem nas almas e comovam as consciências”, acrescentou. São Nicolau, morto em 325 e cujas relíquias estão depositadas na basílica de Bari, é venerado tanto pelos católicos como pelos ortodoxos.
O Papa pediu a todos os fiéis para “seguirem com decisão o caminho do ecumenismo espiritual, para que através da oração abram as portas ao Espírito Santo, o único que pode criar a unidade”.
Valorizar o Domingo
Na homilia, Bento XVI recordou o tema do XXIV Congresso Eucarístico realizado em Itália - “Sem o Domingo não podemos viver” -, para destacar a centralidade do Dia do Senhor. Lembrando os 49 mártires da Eucaristia no ano 304, o Papa frisou que “também para nós não é fácil viver como cristãos”.
Aqueles cristãos do século IV foram proibidos, sob pena de morte, pelo imperador Diocleciano de ter consigo as Sagradas Escrituras, reunir-se ao Domingo para celebrar a Eucaristia ou construir locais de culto. “Depois de atrozes torturas, foram assassinados, confirmando assim, com a efusão do sangue, a sua fé. Morreram, mas venceram”, referiu ontem o Papa.
“Espiritualmente, o mundo em que vivemos, marcado pelo consumismo desenfreado, pela indiferença religiosa, pelo secularismo fechado à transcendência, pode parecer um deserto”, disse ainda.
Bento XVI defendeu que “participar na Missa dominical e alimentar-se do pão eucarístico é uma necessidade para o cristão, que pode assim encontrar a energia necessária para o caminho a percorrer”. O Papa deixou votos de que os cristãos encontrem na participação na Eucaristia a motivação necessária para um “novo compromisso no anúncio de Cristo ao mundo, fonte de Paz”.