Vaticano

Bispo denuncia catástrofe humanitária no Congo

Octávio Carmo
...

A República Democrática do Congo, palco do conflito mais sangrento da humanidade depois da II Guerra Mundial, continua mergulhada num clima de violência e de instabilidade. D. Fulgence Muteba Mugalu, Bispo de Kilwa-Kasenga, lançou um "grito desesperado", revelando que três paróquias da sua Diocese, Mitwaba, Dubie e Pweto, foram literalmente ocupadas por milhares de refugiados. As paróquias de Kilwa e Kasomeno vivem esta mesma situação. Crimes, furtos e abusos sobre as populações são cometidos pelo exército e pelos guerrilheiros mai-mai. O Bispo fala também de epidemias e da fome no drama quotidiano da sobrevivência, e lamenta a pouca importância dada pela imprensa aos problemas desta região do país. “Diversos relatórios foram enviados a instituições estatais e humanitárias para alertar à comunidade nacional e internacional sobre o drama das populações de Mitwaba, Pweto e Malemba”, escreve o Bispo, citado pela agência missionária Fides. As consequências desta situação para a população são dramáticas. “Três paróquias da diocese de Kilwa-Kasenga estão afectadas por esta catástrofe humanitária, que dura há vários anos. Aldeias inteiras foram incendiadas e os direitos do homem são violados de modo flagrante e impune”, acusa. D. Muteba frisa que a solução militar do governo “não resolveu a questão”, referindo que “o exército governamental é um outro aspecto do drama das nossas populações”. “Sabe-se como se comporta um exército sem dinheiro. A população está entre a espada e parede: de um lado, paga o preço da presença dos militares governamentais; do outro, é submetido às violências dos mai-mai”, conclui.


África