Os episcopados da África Oriental estão reunidos desde ontem em Mukono, Uganda, para a 15ª Assembleia Plenária da AMECEA (Associação dos Membros das Conferências Episcopais da África Oriental). O tema da reunião é “Responder aos desafios do HIV/SIDA na região da AMECEA”.
O tema foi escolhido durante a última Assembleia Plenária, realizada em Dar es Salaam, na Tanzânia, quando os Bispos da região decidiram aprofundar o trabalho da Igreja na luta contra a difusão do vírus do HIV e ajudar os doentes de SIDA.
A AMECEA foi fundada em 1961, e reúne os Bispos de Eritréia, Etiópia, Quénia, Malawi, Sudão, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.
Recentemente, o Cardeal Javier Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, anunciou, na Organização Mundial de Saúde, em Genebra, que a Fundação “Bom Samaritano”, lançada pelo Vaticano para responder às necessidades das vítimas da Sida, já está a funcionar.
A Fundação foi criada por João Paulo II e “o novo Papa, Bento XVI, com muito prazer, ratificou-a”, anunciou o Cardeal colombiano. “O objectivo inicial é comprar medicamentos para os mais necessitados, e até hoje já pudemos dar alguma ajuda a doentes em 11 países da África, um da Ásia e outro da América Latina”, anunciou.
A Santa Sé apresentou em Dezembro de 2004 a Fundação “O Bom Samaritano”, uma espécie de Fundo Global da Igreja Católica que tem como objectivo ajudar economicamente os doentes mais necessitados, de modo particular os contagiados pelo VIH/Sida. O próprio João Paulo II contribuiu com 100 mil Euros para o arranque da iniciativa.
“O Bom Samaritano” trabalha de duas formas: o primeiro movimento consiste em solicitar recursos entre os católicos de todo o mundo; a segunda operação é distribui-los para a ajuda aos doentes mais pobres e desprotegidos a nível internacional, assim como para a prevenção da Sida.
A cada ano, as doenças infecciosas matam 17 milhões de pessoas, das quais 90% vive nos países em desenvolvimento. 95% dos doentes de Sida não têm dinheiro para comprar os anti-retrovirais e 26,7% dos Centros de cuidados para os doentes de Sida no mundo são administrados pela Igreja Católica.
Na mensagem para o Dia Mundial do Doente 2005, celebrado em Fevereiro, o falecido Papa João Paulo II lançou um apelo para que se combata a Sida através “da castidade e de uma sexualidade correcta”. “Para combater a Sida de uma maneira responsável, é preciso aumentar a prevenção pela educação para o respeito do valor sagrado da vida e a formação para uma prática correcta da sexualidade”, referia.
A mensagem dedica grande parte da reflexão ao continente africano e à epidemia que o afecta. Em relação ao número crescente de contágios pela via sexual, o Papa polacop vincava que “eles podem ser evitados, sobretudo através de uma conduta responsável e do respeito à virtude da castidade”.
A mensagem papal encoraja as organizações internacionais a “promover iniciativas inspiradas pela sabedoria e a solidariedade, visando sempre a defesa da dignidade humana e o direito inviolável à vida”.
A crítica à indústria farmacêutica é também retomada: “face às emergências da Sida, a salvaguarda da vida humana deve ser tomada acima de qualquer outra consideração”.